Aprender com os erros

Aprender com os erros

João Ferreira do Amaral

O Brexit e – talvez não menos importante – a consciência generalizada de que a União Europeia vai apresentando crescentes sintomas de disfuncionalidade levou os líderes europeus a considerar que é necessário proceder a uma reflexão séria sobre o futuro da União. E até marcaram um encontro para 16 de Setembro, em Bratislava para um primeiro avanço nessa reflexão.

Por outro lado, o Conselho de Estado no comunicado da sua reunião de 11 do corrente sublinhou “a premência de uma contínua reflexão aprofundada sobre os desafios colocados à União Europeia” a ser acompanhada pelo Conselho.

É aqui nesta reflexão nacional sobre a integração europeia que pode estar a questão vital.

No passado cometemos dois grandes erros em relação ao nosso posicionamento na União.

Um erro de substância e outro de processo, que nos levaram a uma situação gravíssima que põe em causa a sobrevivência de Portugal como estado soberano como não sucedeu, nem desde 1640 nem antes de 1580.

O erro de substância tem a ver com a desastrada estratégia que foi definida desde o Tratado de Maastricht de estarmos sempre no “pelotão da frente” da integração europeia. O afã de estarmos no pelotão da frente, completamente inapropriado face às condições estruturais nacionais levou à actual situação de quase protectorado europeu sem qualquer horizonte de progresso. O segundo erro, que possibilitou o primeiro, foi o erro do processo de decisão. O bloco central afunilou esse processo, entendendo que os portugueses não deveriam ser ouvidos nem achados sobre as opções europeias. Foi muito bom para os negócios de alguns à sombra dos fundos estruturais mas constitui um golpe baixo na democracia portuguesa.

Esperemos que tenhamos aprendido com os erros. Abandonemos a malfadada estratégia do pelotão da frente e não tenhamos medo de deixar que os Portugueses se pronunciem sobre o lugar que querem para Portugal na futura Europa.

Uma coisa é certa: já estamos hoje escaldados com os resultados do caminho seguido. Dificilmente os Portugueses aceitarão de novo ser levados como reses para o matadouro como foram em 1992, quando o bloco central aprovou o Tratado de Maastricht e o caminho para a moeda única.