A Europa dos três blocos

A Europa dos três blocos

João Ferreira do Amaral

Estará a União Europeia a dividir-se em blocos?

É ainda cedo para o dizer, mas a verdade é que o Brexit terá acelerado um processo que já vinha em gestação há algum tempo e que vai nesse sentido.

No dia 16 de Setembro, os estados da União, com excepção do Reino Unido, irão encontrar-se em Bratislava para procederem a uma reflexão sobre o futuro da Europa pós-Brexit.

Ora, surgiu entretanto a notícia que o primeiro-ministro da Grécia convidou os outros países do sul – Portugal, França, Itália, Espanha, Chipre e Malta para se reunirem uma semana antes, ou seja, no dia 9, ao que parece para tentarem encontrar formas de actuação comum para inverter a política de austeridade que, por pressão alemã, a zona euro tem insistido em continuar a aplicar.

Por outro lado, os países do leste que não fazem parte da zona euro, têm-se cada vez mais afastado das posições de “mais Europa” que vêm sendo defendidas por alguns responsáveis dos países ocidentais. Um estado líder potencial deste grupo é naturalmente a Polónia.

Podemos assim encarar a possibilidade de uma divisão da União em três blocos, a saber: um grupo de países da zona euro liderados pela Alemanha e que inclui a Finlândia, a Áustria (até ver), a Holanda e países bálticos, todos defensores da austeridade; um outro grupo de países do euro, da zona sul, decididamente anti-austeridade; e um grupo relativamente euro-céptico de países do leste, liderado pela Polónia.

Se estes blocos se sedimentarem será possível a zona euro persistir?

É mais que duvidoso, porque a Alemanha não estará disponível para alterar o modo austeritário de funcionamento da zona euro, que ela própria impôs desde o tratado de Maastricht (1992) como condição de existência da moeda única. E, convenha-se, já engoliu um enorme sapo com a mudança de política do Banco Central Europeu protagonizada por Mario Draghi.

E se a zona euro se desmantelar persistirá a União Europeia? Provavelmente sim, mas numa forma diferente e, espera-se, melhor que a actual, com muito menos centralismo e livre das regras impostas pela Alemanha.