A traição das elites

A traição das elites

João Ferreira do Amaral

Tem sido um lugar-comum da historiografia romântica portuguesa desde o século XIX acusar as elites portuguesas de depreciarem os interesses nacionais, deixando ao povo a defesa desses interesses, combatendo por eles enquanto as elites os vão traindo.

Como todo o lugar-comum, tem uma parte de verdade, embora de forma nenhuma se possa encarar esta posição das elites como uma regra geral, sempre verificável ao longo dos séculos.

Porém, dificilmente se poderá qualificar de outro modo que de traição o que aconteceu em Portugal na crise de 1383-85 e na perda de independência em 1580. Infelizmente, o que tem sucedido nas últimas duas décadas enquadra-se bem no mesmo tipo de situação.

A nível político e financeiro, o que se tem verificado em Portugal a pretexto da grande miragem de uma integração europeia utópica é uma verdadeira traição das elites.

Foram vendidos por um prato de lentilhas (ou seja por alguns milhões de euros de fundos estruturais) poderes soberanos nos domínios monetário e orçamental que são essenciais para assegurar a sustentabilidade do país neste período novo de aceleração da globalização. Basta olhar para o exemplo da Irlanda que, a propósito da multa da Apple, recusa receber biliões de euros em troca do prejuízo dos seus interesses nacionais para podermos comparar a qualidade das elites dos nossos dois países.

A nível financeiro, o Estado português foi entregue friamente nas mãos dos mercados financeiros e a banca portuguesa privada nas mãos de bancos de outros países, em particular de Espanha.

E, claro, a política de austeridade incidiu sobre a população de rendimentos médios e baixos e as elites passaram por ela apenas sacudindo alguns pingos dos seus eficazes capotes.

O 25 de Abril operou uma mais que necessária mudança de elites. Mas as que assim ganharam o cimo da pirâmide, instalaram-se, tornaram-se gananciosas e esqueceram os valores nacionais.

Não há, neste momento, maior bloqueio ao desenvolvimento de Portugal.

29Set2016

 

 

Esta é a ditosa Pátria minha amada….

Esta é a ditosa Pátria minha amada….

Jorge Landeiro de Vaz

A Pátria está a ser entregue e apenas se ouvem alguns lamentos. A traição está em marcha. Os episódios de entrega dos Bancos a interesses estrangeiros, não deixam dúvidas: a Pátria está em perigo.
Porquê.

Vivemos na era do conhecimento e da informação, mas vivemos nas trevas da ignorância. Chafurdamos na lama da indigência.

Quando explico aos meus alunos, que os Bancos criam Moeda, como criam e porque criam, sinto que a minha missão de Professor se cumpre e todos os anos se renova. Mas sinto também que precisamos de ir mais longe, que é necessário que a luz se faça esperança e que a liberdade não seja tolhida pela opressão.

Há uns anos ouvi Mário Soares dizer que “o dinheiro também se fabrica”. Curiosa expressão esta, cheia de significados incompreendidos e ignorados. Na verdade existe uma alquimia totalitária da moeda, do dinheiro que escraviza e destrói, glorificando a ganância.

Estranhamente, se faz crer, se estabeleceu e se ensina que os Bancos guardam o dinheiro do povo. E que para além disso, realizam uma função de intermediação financeira, recolhendo a poupança de uns emprestando-a a outros e nisto se resume a função dos Bancos. Alguns banqueiros, declaram eloquentemente “que assim realizam o trabalho de Deus”.

Claro que é nos Bancos que nós depositamos o dinheiro (capital trabalho), mas como dizia Kant: “a nossa observação é a da aparência das coisas”.

Na verdade, nem os Bancos guardam o dinheiro do povo como deviam, sendo resgatados pelo dinheiro do povo, nem a função principal dos Bancos é a função de intermediação.

A principal função dos bancos é na verdade a de criar Moeda, “fabricar” Moeda emitir Moeda. E é este poder essencialmente ‘soberano’ que alguns, hipocritamente, afanosamente entregam a ‘Castela’.

Este é sem dúvida o caminho da servidão, que o foi em 1580 e de que só nos libertámos em 1640, quando nos quiseram levar para o matadouro.

Em 21 de Junho de 2002, em artigo intitulado “Alcácer Quibir” no Semanário Económico, escrevia sobre o avanço de Botín sobre o grupo Champallimaud (Totta, Crédito Predial Português e Pinto e Sotto Mayor), tomando cerca de 10% do mercado bancário de retalho em Portugal.

“…António Guterres ainda exclamou que Portugal não era uma república das bananas, mas o governo português foi forçado a um acordo…”

“… O que está hoje em causa é não só a partilha de interesses na União Europeia, mas essencialmente a questão da soberania de Portugal, num quadro de iberização da economia….”

“…Na União Europeia imperam regras de livre circulação de bens, de pessoas e de capitais, de livre estabelecimento, pelo que o aumento das relações intraeuropeias é a consequência natural, como também é natural que esse intercâmbio se efetue em maior grau entre países vizinhos. Tendo a economia espanhola uma escala e uma massa crítica maiores, as empresas espanholas tenderão a tomar posição dominante nos sectores estratégicos da economia, a começar pela banca…”

O que começou em 10% há quinze anos, transformou-se em poder dominante e dominador. Assim se entrega um País uma Nação. Os Bancos substituiram os Castelos. De lá partirão à conquista do que resta, fabricando dinheiro, comprando tudo e todos.

Esta é a ditosa Pátria minha amada.

23 de Setembro de 2016

​Bratislava

​Bratislava
João Ferreira do Amaral
Tal como a União Europeia substituiu em 1993 as comunidades europeias (e em particular a CEE) – do meu ponto de vista, com péssimos resultados – é agora necessário para a sobrevivência da Europa e dos seus valores mais progressivos substituir a União Europeia por uma nova organização.

Conforme se esperava, a cimeira informal dos 27 estados da União Europeia (excluindo o Reino Unido), que se realizou na passada semana em Bratislava, nada de novo trouxe a não ser uma clara indicação que esta União está no fim.

Ao dizer isto não quero significar que a integração europeia esteja no fim. Penso que os interesses comuns que existem entre os estados europeus continuarão a justificar formas de cooperação entre eles que lhes permitam lidar melhor com os desafios do nosso tempo.

O que quero dizer é que, tal como a União Europeia substituiu em 1993 as comunidades europeias (e em particular a CEE) – do meu ponto de vista, com péssimos resultados – é agora necessário para a sobrevivência da Europa e dos seus valores mais progressivos substituir a União Europeia por uma nova organização.

Pelo que sabemos da experiência do que tem sido a União é necessário mudar radicalmente a finalidade da criação política que vier a ser acordada. A União tem subjacente a concepção federalista de que para lidar com a globalização é necessário criar um superestado europeu. Daí uma enorme centralização de poder, com a criação da moeda única, a nomeação dum “ministro” dos negócios estrangeiros da União, a tentativa de desviar recursos dos orçamentos nacionais para um mítico orçamento europeu, a atribuição de personalidade jurídica à União, as propostas para um exército europeu etc, etc.. Revelando uma enorme falta de imaginação, pensou-se que uma teoria política inventada há mais de duzentos anos atrás para os actuais EUA teria aplicação na Europa do século XXI.

Os resultados estão à vista. O enfraquecimento dos estados levou a Europa à beira da catástrofe.

A nova organização deve ser totalmente diferente nas suas finalidades. Em vez de tentar substituir os estados deve antes criar mecanismos de ajuda para estes poderem lidar com a globalização. Ou seja, a Europa do progresso ou é uma Europa de estados soberanos, fortes e cooperantes ou desaparece.

in Entrevista à Rádio Renascença em 22 de Setembro de 2016

 

O “Brexit” e o novo equilíbrio de poder na União Europeia

O “Brexit” e o novo equilíbrio de poder na União Europeia

Carlos Martins Branco

A saída do Reino Unido da União Europeia (UE) veio alterar o equilíbrio de forças existente no seio da União e afectar significativamente a geopolítica da Europa. O Reino Unido tem desempenhado um papel crucial no equilíbrio de forças existente no seio da UE ao funcionar como uma charneira entre a Alemanha e a França. A Alemanha  apoiava-se no Reino Unido em matéria de promoção do comércio livre, contrariando as tendências proteccionistas da França, enquanto que a França via o Reino Unido como um parceiro em matéria de defesa e um contrapeso à influência germânica.

Dois aspectos merecem particular destaque.

Em primeiro lugar, a saída do Reino Unido veio criar um vazio de poder e, simultaneamente, uma oportunidade para os Estados-membros mais poderosos o preencherem e reforçarem as suas posições no establishment europeu. São evidentes os movimentos nesse sentido. A reunião realizada a 25 de Junho de 2016, dois dias após o referendo, entre os ministros dos Negócios Estrangeiros da França e da Alemanha com o objectivo de analisarem os resultados do Brexit, excluindo desse debate os restantes Estados-membros da União, deixou bem claro o papel que a Alemanha e a França reservam para si no novo quadro.

O segundo aspecto prende-se com o facto dos representantes daqueles dois Estados assinalarem que existem diferentes níveis de ambição entre os Estados-membros no que respeita ao processo da integração europeia. Embora de uma forma não declarada, deixaram subjacente a vontade velada de reorganizar a Europa em redor de um grupo de Estados com prerrogativas adicionais, marginalizando os restantes países. Subjacente a este pensamento está a concepção de uma Europa com dois grupos a duas velocidades, onde se verificarão níveis de integração diferentes.

A defesa e a segurança são domínios onde se verificam pressões da França e da Alemanha para que exista um aprofundamento e uma aceleração da integração. Projectos do antecedente obstruídos pelo Reino Unido ganham agora uma nova dinâmica: a criação de um quartel-general conjunto, as cooperações estruturadas permanentes e o aumento da cooperação no campo do Intelligence.

Como é sabido, uma das razões, entre outras, alegadas pelos defensores do Brexit foi o deficit democrático na União Europeia associada à exagerada concentração de poder nas instâncias europeias. As opiniões públicas de alguns Estados-Membros têm sido susceptíveis a este argumento. Torna-se difícil às lideranças de certos países explicarem aos seus cidadãos as vantagens de participarem numa associação em que as suas vozes e os seus interesses são menos escutados. O aumento da integração poderá ser tentador para os pequenos Estados-membros colocarem na sua agenda política o exemplo do Reino Unido.

Contudo, em oposição ao aumento da integração, surgem novas dinâmicas a ter em consideração. Por exemplo, os dirigentes dos países que constituem o Grupo de Visegrado reuniram-se em Julho para avaliar os resultados do referendo. Ficou claro que a sua preferência não é avançar num caminho de maior integração mas sim num de maior intergovernamentalidade.

Este desenvolvimento desencadeou uma intensa actividade diplomática da Chanceler Angela Merkel visitando vários Estados-membros, nomeadamente os do Grupo de Visegrado com o alegado objectivo de acertar agendas antes da Cimeira que vai ter lugar proximamente em Bratislava (16 Setembro). Na prática o objectivo dessa maratona negocial foi, acima de tudo, tentar acomodar pontos de vista diferentes.

É importante continuar a monitorizar estes desenvolvimentos para se perceber até que ponto esta iniciativa de países que se encontram na esfera de influência e interesse da Alemanha podem vir a condicionar posições estratégicas futuras, acomodando linhas de ação opostas. Igualmente importante é saber até que ponto outras iniciativas, como a recente reunião de países do sul, em Atenas, poderá encontrar pontos de convergência e reforçar esse debate. A verdade é que estas movimentações perturbaram vários dignitários germânicos. A saída do Reino Unido vai permitir que os países do sul tenham um número de votos suficiente para impedirem a aprovação de medidas que lhe sejam desfavoráveis. Políticas de concertação entre os pequenos Estados poderão, se executadas com engenho e arte, travar as tentações centralizadoras da França e da Alemanha.

A instrução militar e o Exército

A instrução militar e o Exército
Jorge Ferreira

A instrução militar é a principal actividade dos exércitos em tempo de paz, a ela lhe devotam a sua inteligência, o seus recursos e as suas prioridades. Sem uma boa instrução, sem um bom treino, individual e colectivo, um exército nunca passará de um bando armado e dificilmente conseguirá estar preparado para cumprir as exigentes missões que lhe são confiadas em tempo de guerra ou na actual situação de paz doce e de conflitos generalizados.

Os exércitos dedicam por isso, à instrução, o melhor dos seus esforços e inteligência. No seu planeamento, na definição dos objectivos a atingir, na progressividade das exigências, no pragmatismo com que é conduzida e orientada, na obtenção de resultados concretos e mensuráveis. Nenhuma força militar está definitivamente pronta, existe apenas uma perspectiva de garantia de níveis de proficiência que carecem, para serem mantidos, de treino permanente, persistente e exigente.

A instrução do Exército ou de outras forças militares não é, nunca foi, um amontoado de brutalidades como alguns jornais parecem querer inferir de cada vez que têm essa oportunidade ou alguém lhes pede o serviço. Um militar incapacitado, aleijado ou morto não serve a sua pátria.

Toda a instrução militar deve ser exigente, dura, difícil, desafiante, orientada para os resultados, objectivada, planeada, medida, tendo sempre em vista a entrega pessoal a uma causa maior, o sentido de solidariedade e de esforço, a disponibilidade para o sacrifício, o sentido de devoção à missão e ao seu cumprimento a todo o custo o que conhece uma expressão ainda mais elevada no que respeita à instrução de tropas especiais.

De entre os factores chave de uma boa instrução sobressai, como sempre, o factor humano. Só uma adequada e atenta selecção e formação técnica e humana dos instrutores e o acompanhamento atento das actividades por parte dos comandos responsáveis permitem obter os melhores resultados.

A segurança é outro dos factores a que os exércitos dedicam a maior das atenções. Desde logo pela importância que conferem à vida. Que não se caia na estultícia de pretender dar lições aos militares sobre a importância e o valor da vida humana porque é isso que está na raiz e no coração das suas intervenções no mundo moderno. A única diferença reside na disponibilidade, voluntariamente assumida pelos militares, para prescindir do seu bem-estar e da sua vida em prol de um bem mais elevado, em ambientes de especial dificuldade e risco acrescido, o que não conhece paralelo em nenhum dos restantes servidores públicos e devia sugerir um respeito ainda maior pela sua dádiva, quer durante a instrução quer em operações.

A segurança na instrução permite a cada instante controlar, avaliar, medir os níveis de esforço e de risco de cada actividade e antecipá-los, corrigi-los, reduzi-los ou na eventualidade de uma situação inesperada dispor dos meios de controlo e socorro indispensáveis para minorar ou limitar as consequências.

Mesmo que cumpridos todos os requisitos básicos, humanos e de segurança, os riscos subsistem se o treino decorrer, como se espera, com exigências e condições tão próximas quanto possível às do combate real.

Não existe, no treino militar eficiente e responsável, um risco zero. Só a ignorância, a hipocrisia e os critérios de oportunismo político de gente sem sentido de estado e sem escrúpulos, que não despende uma pinga de suor para exigir aos militares aquilo que lhes custa sangue, suor e lágrimas é que permitem que se comente com ligeireza o que lhes devia merecer mais respeito e contenção em nome do país que dizem servir e que justifica alguns dos comentários que ouvimos da parte de alguns políticos que nunca souberam para que servia a tropa, nunca puseram os pés num quartel e têm horror a tudo o que lhes cheire a esforço, amor à pátria e responsabilidade.

As tropas especiais têm, por exigência das suas missões potenciais, requisitos acrescidos do ponto de vista individual, físico, técnico, cultural e colectivo, para salvaguarda da própria vida e garantia de eficiência. Esses requisitos só podem ser obtidos através de uma instrução devidamente planeada e preparada para que, de forma gradual, progressiva, pragmática e controlada se adquiram as competências e a preparação necessárias. Compete sempre aos comandantes a determinação das condições e dos graus de exigência em cada fase, sabendo de antemão que, de uma boa preparação dependerão a própria vida do combatente, a vida daqueles que o acompanham e o cumprimento de missões das quais poderá depender a sorte de muitos milhares de pessoas, homens mulheres e crianças.

A instrução de tropas especiais assenta em dinâmicas de exigência e compromisso pessoal dos instruendos em relação a si próprios. É bem conhecida a força anímica que resulta de uma vontade forte por parte dos instruendos de “ganhar o crachat”. A mesma que, ao mesmo tempo que permite que o instruendo atinja mais rapidamente níveis de proficiência elevados, com elevados níveis de dedicação, sacrifício e resiliência o expõe também aos riscos da inexperiência e do excesso de voluntarismo que exigem e justificam um acompanhamento atento, individualizado e activo e de onde resulta uma maior responsabilidade de qualquer bom instrutor e comandante.

O respeito devido pela vida humana e pela qualidade da instrução ministrada no Exército exigiu que o chefe do Exército determinasse uma investigação para apurar as causas dos acidentes que lamentavelmente causaram já a morte de dois militares durante a instrução. Era esse o seu dever e a sua responsabilidade no contexto de uma cultura militar saudável, responsável e verificável a todo o momento. Aguardemos os resultados.

Paz à alma de Hugo Abreu e de Dylan Araújo da Silva,

Respeito, solidariedade e responsabilidade.

A cimeira de Atenas

A cimeira de Atenas

João Ferreira do Amaral

Em Atenas reuniram-se ontem, dia 9, os chamados países do sul da União Europeia. Na realidade, com a ausência de Espanha, tratou-se mais de uma reunião de governos socialistas do que de países do sul.

Embora sem grandes novidades, a cimeira foi importante, uma vez que ficou mais ou menos explícito o objectivo de lutar pelo fim das políticas de austeridade. A importância, é certo, não decorre apenas, nem principalmente das declarações da cimeira. Infelizmente sabemos bem que muitos governos, quando se aproxima as eleições (é o caso de França) fazem voz grossa contra a austeridade, perdendo de novo o pio quando alcançam a reeleição. A importância decorre antes da reacção que provocou entre os austeritários.

Logo de imediato Schäuble veio proferir os habituais sarcasmos que, no entanto, não conseguem disfarçar um receio latente.

E claro, cá em Portugal, Passos Coelho surge a criticar a cimeira apresentando-se como grande paladino da unidade europeia, ameaçada segundo ele pela reunião dos países do sul. Alinhou, com as críticas alemãs. Não se esperaria outra coisa.

Acusaram o toque.

Um passo positivo, pois. Mas não devemos exagerar o seu efeito. Vai ser necessário muito mais coesão entre estes países para se conseguirem ganhos efectivos.

Para já o momento importante que se segue será o do próximo dia 16 em Bratislava, quando se realizar a cimeira entre 27 estados (ou seja, sem o Reino Unido) para discutir o futuro pós-Brexit. Como se comportará aí a Europa dos três blocos?