Apontamento sobre o BANIF e a CGD

Apontamento sobre o BANIF e a CGD

Jorge Landeiro de Vaz

Apontamentos da entrevista dada a Daniel Catalão, na quinta feira, 28 de Julho pelas 21h 30m no Jornal da RTP2, sobre os inquéritos parlamentares ao Banif e à CGD

Do inquérito parlamentar ao BANIF, salienta-se

1 – O BANIF concentrou a sua actividade no sector imobiliário, como aliás os outros bancos, financiando uma bolha imobiliária que no censo de 2012 ascendia a 735000 habitações a mais, das quais 400000 novas, equivalente a uma cidade com 1 milhão de habitantes, no valor de 100000 milhões de euros. Esta é a causa principal da crise financeira que estoirou em 2008 e que perdura. Não é preciso ser economista para perceber o enorme desperdício de recursos financeiros e de moeda que uma bolha destas dimensões provoca.
2 – É totalmente incompreensível para o senso comum que o BANIF tenha apresentado 8 propostas de reestruturação financeira, sempre recusadas pelas instituições europeias. Tratou-se de um diálogo de surdos, incluindo o banco de Portugal e o governo português, que gerou um custo elevadíssimo para os contribuintes, superior a 3000 milhões de euros, sendo finalmente oferecido ao Santander.

Do inquérito parlamentar à CGD, importa realçar três aspectos

1 – Os prejuízos acumulados pela CGD nos últimos 5 anos, de 2000 milhões de euros(um recorde histórico).
2 – As imparidades de crédito vencido de 4500 milhões de euros.
3 – As imparidades de 1900 milhões de euros em participações financeiras.
As causas deste descalabro, são comuns às do BANIF, bolha imobiliária que a CGD financiou em Portugal e Espanha, as participações ruinosas da CGD e também a venda forçada da Caixa Seguros, que era rentável e que não tem qualquer justificação estratégica e económica. Esta venda foi ditada pela troika e teve a cumplicidade do governo, da administração da CGD e do banco de Portugal. Foi uma clara traição à instituição e aos interesses nacionais.
O grupo estrangeiro que comprou a Caixa Seguros, já investiu na área da Saúde e espera tomar posição no setor bancário (BCP) reconstituindo a lógica dos grupos financeiros que integram (banca+seguros+saúde) que a CGD foi forçada violentamente a desmantelar. Depois é necessário recapitalizá-la, claro. Alguém ouviu os responsáveis deste País reagir a esta situação altamente destrutiva da CGD?

Lisboa, 28 de Julho de 2016