Se Portugal não sai do Euro está condenado… ficar é mais custoso do que sair.

Se Portugal não sai do Euro está condenado… ficar é mais custoso do que sair.

Se tivesse de dar uma nota à troika, de 0 a 10 qual seria?
Zero é o mais baixo? Talvez menos 1. É difícil imaginar que poderia ser pior.

Joseph Stiglitz em entrevista à Antena 1 (extractos)

No novo livro critica o processo de construção do euro, bem como a arquitetura da moeda única. Que problemas são esses?
Um dos meus principais argumentos é que o euro foi criado de início com problemas. A estrutura do euro é o problema. Sim, tivemos problemas de escolhas políticas, mas nem mesmo os melhores políticos poderiam fazer o euro funcionar sem mudar algumas das regras básicas do euro, regulamentos e instituições. Por exemplo, uma das regras básicas é que os países não podem ter défices superiores a 3% do PIB. Mas quando tens recessões económicas precisas de estimular a economia e isso exige, por vezes, ter défices superiores a 3% do PIB. Por isso, para o Euro funcionar, no sentido de uma moeda única permitir a um leque de diferentes países atingirem todos o pleno emprego e crescimento económico, então teríamos de romper essas regras básicas, mudá-las.

Sobre as agências de rating, Portugal ainda está preso por uma agência de rating, a DBRS. Tantos anos depois da crise financeira, porque é que ainda lhes damos ouvidos?
Acho que a influência das agências de rating reflete as profundas ineficiências dos mercados financeiros e da sua irracionalidade. Lembremo-nos que as agências de rating deram a nota máxima aos produtos que levaram ao colapso do sistema financeiro norte-americano. Estiveram envolvidas em fraudes, deceção. Então, porque devemos prestar atenção a estas agências de rating com o histórico tão pobre e com uma honestidade tao questionável é um mistério para mim. O facto de os mercados financeiros ainda lhes prestarem atenção diz mais deles próprios do que qualquer outra coisa.

No novo livro critica o processo de construção do euro, bem como a arquitetura da moeda única. Que problemas são esses?
Um dos meus principais argumentos é que o euro foi criado de início com problemas. A estrutura do euro é o problema. Sim, tivemos problemas de escolhas políticas, mas nem mesmo os melhores políticos poderiam fazer o euro funcionar sem mudar algumas das regras básicas do euro, regulamentos e instituições. Por exemplo, uma das regras básicas é que os países não podem ter défices superiores a 3% do PIB. Mas quando tens recessões económicas precisas de estimular a economia e isso exige, por vezes, ter défices superiores a 3% do PIB. Por isso, para o Euro funcionar, no sentido de uma moeda única permitir a um leque de diferentes países atingirem todos o pleno emprego e crescimento económico, então teríamos de romper essas regras básicas, mudá-las.

Por isso se estas políticas de austeridade se mantiverem na Europa, a reestruturação da dívida em Portugal é inevitável?
Se mantiverem estas políticas a reestruturação da divida é inevitável. Vemos muito claramente que o FMI disse que a dívida grega tinha de ser reestruturada e os alemães esconderam a cabeça debaixo da areia e disseram ‘não aceitamos uma reestruturação da dívida’. O resultado é que a Grécia não conseguirá pagar a dívida.

Artigo completo em: Joseph Stiglitz: “Custa mais a Portugal ficar no Euro do que sair”

Frederico Pinheiro – Antena 1 (Citado na RTP Notícias)
05 Set, 2016, 08:33 / atualizado em 05 Set, 2016, 15:20 | Economia
Fotografia: World Economic Forum / Flickr – Joseph Stiglitz, Nobel da Economia de 2001, no World Economic Forum em Davos, 2009.