A cimeira de Atenas

A cimeira de Atenas

João Ferreira do Amaral

Em Atenas reuniram-se ontem, dia 9, os chamados países do sul da União Europeia. Na realidade, com a ausência de Espanha, tratou-se mais de uma reunião de governos socialistas do que de países do sul.

Embora sem grandes novidades, a cimeira foi importante, uma vez que ficou mais ou menos explícito o objectivo de lutar pelo fim das políticas de austeridade. A importância, é certo, não decorre apenas, nem principalmente das declarações da cimeira. Infelizmente sabemos bem que muitos governos, quando se aproxima as eleições (é o caso de França) fazem voz grossa contra a austeridade, perdendo de novo o pio quando alcançam a reeleição. A importância decorre antes da reacção que provocou entre os austeritários.

Logo de imediato Schäuble veio proferir os habituais sarcasmos que, no entanto, não conseguem disfarçar um receio latente.

E claro, cá em Portugal, Passos Coelho surge a criticar a cimeira apresentando-se como grande paladino da unidade europeia, ameaçada segundo ele pela reunião dos países do sul. Alinhou, com as críticas alemãs. Não se esperaria outra coisa.

Acusaram o toque.

Um passo positivo, pois. Mas não devemos exagerar o seu efeito. Vai ser necessário muito mais coesão entre estes países para se conseguirem ganhos efectivos.

Para já o momento importante que se segue será o do próximo dia 16 em Bratislava, quando se realizar a cimeira entre 27 estados (ou seja, sem o Reino Unido) para discutir o futuro pós-Brexit. Como se comportará aí a Europa dos três blocos?