​Bratislava

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João Ferreira do Amaral
Tal como a União Europeia substituiu em 1993 as comunidades europeias (e em particular a CEE) – do meu ponto de vista, com péssimos resultados – é agora necessário para a sobrevivência da Europa e dos seus valores mais progressivos substituir a União Europeia por uma nova organização.

Conforme se esperava, a cimeira informal dos 27 estados da União Europeia (excluindo o Reino Unido), que se realizou na passada semana em Bratislava, nada de novo trouxe a não ser uma clara indicação que esta União está no fim.

Ao dizer isto não quero significar que a integração europeia esteja no fim. Penso que os interesses comuns que existem entre os estados europeus continuarão a justificar formas de cooperação entre eles que lhes permitam lidar melhor com os desafios do nosso tempo.

O que quero dizer é que, tal como a União Europeia substituiu em 1993 as comunidades europeias (e em particular a CEE) – do meu ponto de vista, com péssimos resultados – é agora necessário para a sobrevivência da Europa e dos seus valores mais progressivos substituir a União Europeia por uma nova organização.

Pelo que sabemos da experiência do que tem sido a União é necessário mudar radicalmente a finalidade da criação política que vier a ser acordada. A União tem subjacente a concepção federalista de que para lidar com a globalização é necessário criar um superestado europeu. Daí uma enorme centralização de poder, com a criação da moeda única, a nomeação dum “ministro” dos negócios estrangeiros da União, a tentativa de desviar recursos dos orçamentos nacionais para um mítico orçamento europeu, a atribuição de personalidade jurídica à União, as propostas para um exército europeu etc, etc.. Revelando uma enorme falta de imaginação, pensou-se que uma teoria política inventada há mais de duzentos anos atrás para os actuais EUA teria aplicação na Europa do século XXI.

Os resultados estão à vista. O enfraquecimento dos estados levou a Europa à beira da catástrofe.

A nova organização deve ser totalmente diferente nas suas finalidades. Em vez de tentar substituir os estados deve antes criar mecanismos de ajuda para estes poderem lidar com a globalização. Ou seja, a Europa do progresso ou é uma Europa de estados soberanos, fortes e cooperantes ou desaparece.

in Entrevista à Rádio Renascença em 22 de Setembro de 2016