Esta é a ditosa Pátria minha amada….

Esta é a ditosa Pátria minha amada….

Jorge Landeiro de Vaz

A Pátria está a ser entregue e apenas se ouvem alguns lamentos. A traição está em marcha. Os episódios de entrega dos Bancos a interesses estrangeiros, não deixam dúvidas: a Pátria está em perigo.
Porquê.

Vivemos na era do conhecimento e da informação, mas vivemos nas trevas da ignorância. Chafurdamos na lama da indigência.

Quando explico aos meus alunos, que os Bancos criam Moeda, como criam e porque criam, sinto que a minha missão de Professor se cumpre e todos os anos se renova. Mas sinto também que precisamos de ir mais longe, que é necessário que a luz se faça esperança e que a liberdade não seja tolhida pela opressão.

Há uns anos ouvi Mário Soares dizer que “o dinheiro também se fabrica”. Curiosa expressão esta, cheia de significados incompreendidos e ignorados. Na verdade existe uma alquimia totalitária da moeda, do dinheiro que escraviza e destrói, glorificando a ganância.

Estranhamente, se faz crer, se estabeleceu e se ensina que os Bancos guardam o dinheiro do povo. E que para além disso, realizam uma função de intermediação financeira, recolhendo a poupança de uns emprestando-a a outros e nisto se resume a função dos Bancos. Alguns banqueiros, declaram eloquentemente “que assim realizam o trabalho de Deus”.

Claro que é nos Bancos que nós depositamos o dinheiro (capital trabalho), mas como dizia Kant: “a nossa observação é a da aparência das coisas”.

Na verdade, nem os Bancos guardam o dinheiro do povo como deviam, sendo resgatados pelo dinheiro do povo, nem a função principal dos Bancos é a função de intermediação.

A principal função dos bancos é na verdade a de criar Moeda, “fabricar” Moeda emitir Moeda. E é este poder essencialmente ‘soberano’ que alguns, hipocritamente, afanosamente entregam a ‘Castela’.

Este é sem dúvida o caminho da servidão, que o foi em 1580 e de que só nos libertámos em 1640, quando nos quiseram levar para o matadouro.

Em 21 de Junho de 2002, em artigo intitulado “Alcácer Quibir” no Semanário Económico, escrevia sobre o avanço de Botín sobre o grupo Champallimaud (Totta, Crédito Predial Português e Pinto e Sotto Mayor), tomando cerca de 10% do mercado bancário de retalho em Portugal.

“…António Guterres ainda exclamou que Portugal não era uma república das bananas, mas o governo português foi forçado a um acordo…”

“… O que está hoje em causa é não só a partilha de interesses na União Europeia, mas essencialmente a questão da soberania de Portugal, num quadro de iberização da economia….”

“…Na União Europeia imperam regras de livre circulação de bens, de pessoas e de capitais, de livre estabelecimento, pelo que o aumento das relações intraeuropeias é a consequência natural, como também é natural que esse intercâmbio se efetue em maior grau entre países vizinhos. Tendo a economia espanhola uma escala e uma massa crítica maiores, as empresas espanholas tenderão a tomar posição dominante nos sectores estratégicos da economia, a começar pela banca…”

O que começou em 10% há quinze anos, transformou-se em poder dominante e dominador. Assim se entrega um País uma Nação. Os Bancos substituiram os Castelos. De lá partirão à conquista do que resta, fabricando dinheiro, comprando tudo e todos.

Esta é a ditosa Pátria minha amada.

23 de Setembro de 2016