CONFERÊNCIA A MOEDA NO SÉC XXI Representações e Epifenómenos (Sinopse)

CONFERÊNCIA A MOEDA NO SÉC XXI Representações e Epifenómenos (Sinopse)

Prof. Jorge J. Landeiro de Vaz

A Moeda, sobre a qual se constroem impérios, tem segredos e mitos como nenhuma outra área do conhecimento em Economia.

A Moeda fonte primordial de poder económico, político, estratégico e militar tornou-se aos olhos do homem comum, mesmo do especialista, uma commodity. No entanto, não existe nada menos neutro do que a Moeda, económica, social e politicamente.

As percepções da Moeda encontraram no tempo as representações que os poderes quiseram que encontrasse: No sécº XXI há representações para o homem comum e representações para o especialista, distantes da realidade. Chamamos-lhe por isso mitos da moeda. São os mitos construídos da Moeda.

Sendo a Moeda uma construção artificial, um artefacto histórico dinâmico, constituindo-se sistema monetário ao longo dos tempos, produziu e gera epifenómenos em todos os planos da sociedade, não apenas monetário, mas económico, financeiro, e político que conhecemos através das crises económicas.

No entanto a Moeda, como artefacto dinâmico, oferece no sécº XXI, novas representações, a Moeda Escritural, tornou-se Moeda Digital e surgiu o fenómeno disruptivo da Moeda Virtual e das Criptomoedas.

Cito a Directora Geral do FMI:

“Beaucoup d’entre vous ont entendu parler non seulement de Bitcoin mais de la blockchain […] l’incroyable technologie qui soutien Bitcoin, comment tout cela est incroyablement pratique et sera à même de générer la confiance (…), et beaucoup d’entre vous dans la profession sont effectivement inquiets de ce que ces technologies pourrait perturber massivement le système actuel […]. Tant que ces nouvelles technologies useront et abuseront des avantages de l’anonymat, je pense que le secteur bancaire a encore de beaux jours devant lui […]” Lagarde, FMI, 22/1/2016

São essas representações e esses epifenómenos o objecto da conferencia.

Para uma melhor compreensão da audiência seguir-se-á o método histórico, o passado, o presente e o futuro da Moeda no sécº XXI.

(ISEG, 25 de Outubro de 2016)

OE 2017: lembrando a troika

OE 2017: lembrando a troika
Os programas da troika foram maus demais. Demonstraram uma incompetência técnica assinalável.

Um orçamento do Estado pode ser analisado de muitas maneiras. Normalmente dá-se maior importância à questão fiscal – por boas razões, aliás porque nos sai do bolso – à orientação da despesa, etc.

Vou escolher um ângulo de aproximação diferente: a redução do défice e o crescimento económico.

Quer o orçamento de 2016 quer o de 2017 demonstram o erro que foi, por parte da troika, a imposição de um programa de ajustamento que passava por uma brutal contracção orçamental com o objectivo de reduzir rapidamente o défice do sector público.

Os resultados foram os conhecidos: a drástica restrição orçamental levou a uma contracção fortíssima da actividade económica que, por sua vez, causou uma significativa redução da receita pública e um aumento de despesa que tornou muito mais difícil a redução do défice. Por outro lado, a contracção da actividade aumentou grandemente as dificuldades do sistema financeiro, com as consequências orçamentais e outras que conhecemos.

O OE 2016 e o de 2017 vêm, a posteriori, demonstrar que teria sido possível reduzir o défice público sem tamanho espalhafato e ineficiência. Uma das variáveis chave aqui é o emprego. Ao reduzir a actividade económica, reduz-se o emprego, levando a uma diminuição das contribuições para a segurança social e a um aumento dos subsídios de desemprego. Ora a tentativa de redução drástica do défice público através de um tratamento de choque provoca uma redução violenta da actividade económica e do emprego que é muito superior à que se verifica com uma série de ajustamentos graduais.

Os programas da troika foram maus demais. Demonstraram uma incompetência técnica assinalável. Daí a importância que devemos atribuir à decisão do Tribunal de Justiça europeu de permitir que os lesados por estes programas processem as instituições europeias que fizeram parte da Troika.

 

Radio Renascença, 21 de Outubro de 2016

OE 2017: lembrando a troika

“Problemas do Deutsche Bank são sinal de crise sistémica”

 

“Tudo isto nos leva a perguntar se não estamos na iminência de uma rutura financeira na escala da de 2008”, rematou Landeiro Vaz

Os problemas que têm sido associados ao Deutsche Bank podem ser o topo do icebergue de uma mega crise financeira em formação, de caráter sistémico, avisou o economista Jorge Landeiro Vaz, em declarações hoje à agência Lusa.

A instituição financeira alemã tem estado muito em foco nos últimos tempos, pelo seu envolvimento em vários casos. Porém, para este docente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), especialista em moeda, o Deutsche Bank, o maior banco alemão, “é essencialmente um problema do sistema” financeiro.

Aqueles casos vão do alegado “tratamento de favor” dado pelo Banco Central Europeu nos testes de pressão (‘stress tests’), como publicado recentemente pelo Financial Times, à classificação pelo Fundo Monetário Internacional do Deutsche Bank como o banco global de maior risco sistémico, portanto com maior potencial de colapso.

Pelo meio, estão vários problemas com a justiça, desde a intenção recente das autoridades dos EUA de o multar em 14 mil milhões de dólares (11,3 mil milhões de euros) por envolvimento no designado ‘subprime’ (obrigações hipotecárias de má qualidade), que provocou a crise financeira de 2008, ao escândalo da manipulação da taxa Libor (multa de 2,5 mil milhões de dólares em 2015), passando pelos mais recentes casos da lavagem de dinheiro na Federação Russa, em que se avança o montante de 10 mil milhões de dólares.

Landeiro Vaz, que dirigiu o Instituto para o Desenvolvimento e Estudos Económicos, Financeiros e Empresariais (IDEFE) do ISEG, considerou que se está perante “um conjunto de factos que tem de fazer pensar” e apontou que este envolvimento recorrente do banco “em casos de litigância, de abusos, de manipulação de mercado, todo o tipo de operações de transferência de capitais, envolvendo lavagem de dinheiro, tinha que ter impacto”. Tanto no próprio Deutsche Bank, que mudou o presidente em 2015, como no sistema financeiro.

Assim, a queda acionista em 2016 chegou aos 50% e em 2015 apresentou pela primeira vez prejuízos desde 2008, no valor de sete mil milhões de euros.

Mas Landeiro Vaz chamou a atenção em especial para a carteira de derivados do Deutsche, que “é a maior de todas as instituições financeiras, acima mesmo do JPMorgan”.

O problema está em que “essa carteira de derivados, cuja última avaliação é de 42 biliões (milhão de milhões) de euros tem derivados que são valorizados por três técnicas diferentes: valor de mercado, classificação de obrigações hipotecárias por critérios internos da instituição e derivados de créditos e fundos ‘swaps’, carteira importante na carteira total, que não tem qualquer forma de ser avaliada. O seu valor é um mistério”, disse.

Estes problemas do Deutsche vão a par com declarações do seu economista-chefe, que disse haver necessidade de um ‘bail-out’ (resgate) de emergência de 150 mil milhões de euros para a banca europeia, mas esta intenção é contrariada pela chanceler alemã e pela preferência dada agora na União Europeia ao ‘bail-in’, em que são os acionistas que devem perder em primeiro lugar, não os contribuintes, e salvaguardando sempre que possível os depositantes.

Para agravar o cenário, Landeiro Vaz disse que os problemas excedem os do Deutsche Bank, desde logo na Alemanha — “o Commerzbank vendeu a sua sede, o maior edifício de Frankfurt, à Samsung” –, mas também, de forma simbólica, a própria Alemanha.

“Deve-se frisar que os bancos italianos têm uma situação muito complicada em termos de liquidez e capital”, em que “os números mais baixos que existem de crédito malparado são superiores a 360 mil milhões de euros”, disse, mas acentuando que os problemas se estendem a outros bancos na Europa, como suíços ou britânicos.

“Tudo isto nos leva a perguntar se não estamos na iminência de uma rutura financeira na escala da de 2008”, rematou Landeiro Vaz, lembrando que o potencial de crise sistémica é superior ao ocorrido em 2008, uma vez que o Deutsche Bank tem uma dimensão que é 3,5 a do Lehman.

O economista está a preparar uma conferência sobre a moeda no século XXI, que vai decorrer no ISEG, em 07 de novembro, que terá como moderadores, designadamente, João Ferreira do Amaral e António Mendonça.

Dinheiro Vivo, 13 de Outubro de 2016

“Problemas do Deutsche Bank são sinal de crise sistémica”

Problemas no Deutsche Bank podem originar mega crise financeira

Os problemas que têm sido associados ao Deutsche Bank podem ser o topo do icebergue de uma mega crise financeira em formação, de caráter sistémico.

A instituição financeira alemã tem estado muito em foco nos últimos tempos, pelo seu envolvimento em vários casos. Porém, para este docente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), especialista em moeda, o Deutsche Bank, o maior banco alemão, “é essencialmente um problema do sistema” financeiro, avisou o economista Jorge Landeiro Vaz.

Aqueles casos vão do alegado “tratamento de favor” dado pelo Banco Central Europeu nos testes de pressão (“stress tests”), como publicado recentemente pelo “Financial Times”, à classificação pelo Fundo Monetário Internacional do Deutsche Bank como o banco global de maior risco sistémico, portanto com maior potencial de colapso.

Pelo meio, estão vários problemas com a justiça, desde a intenção recente das autoridades dos EUA de o multar em 14 mil milhões de dólares (11,3 mil milhões de euros) por envolvimento no designado “subprime” (obrigações hipotecárias de má qualidade), que provocou a crise financeira de 2008, ao escândalo da manipulação da taxa Libor (multa de 2,5 mil milhões de dólares em 2015), passando pelos mais recentes casos da lavagem de dinheiro na Federação Russa, em que se avança o montante de 10 mil milhões de dólares.

Landeiro Vaz, que dirigiu o Instituto para o Desenvolvimento e Estudos Económicos, Financeiros e Empresariais (IDEFE) do ISEG, considerou que se está perante “um conjunto de factos que tem de fazer pensar” e apontou que este envolvimento recorrente do banco “em casos de litigância, de abusos, de manipulação de mercado, todo o tipo de operações de transferência de capitais, envolvendo lavagem de dinheiro, tinha que ter impacto”. Tanto no próprio Deutsche Bank, que mudou o presidente em 2015, como no sistema financeiro.

Assim, a queda acionista em 2016 chegou aos 50% e em 2015 apresentou pela primeira vez prejuízos desde 2008, no valor de sete mil milhões de euros.

Mas Landeiro Vaz chamou a atenção em especial para a carteira de derivados do Deutsche, que “é a maior de todas as instituições financeiras, acima mesmo do JPMorgan”.

O problema está em que “essa carteira de derivados, cuja última avaliação é de 42 biliões (milhão de milhões) de euros tem derivados que são valorizados por três técnicas diferentes: valor de mercado, classificação de obrigações hipotecárias por critérios internos da instituição e derivados de créditos e fundos ‘”swaps”, carteira importante na carteira total, que não tem qualquer forma de ser avaliada. O seu valor é um mistério”, disse.

Estes problemas do Deutsche vão a par com declarações do seu economista-chefe, que disse haver necessidade de um resgate (bail-out) de emergência de 150 mil milhões de euros para a banca europeia, mas esta intenção é contrariada pela chanceler alemã e pela preferência dada agora na União Europeia ao “bail-in”, em que são os acionistas que devem perder em primeiro lugar, não os contribuintes, e salvaguardando sempre que possível os depositantes.

Para agravar o cenário, Landeiro Vaz disse que os problemas excedem os do Deutsche Bank, desde logo na Alemanha – “o Commerzbank vendeu a sua sede, o maior edifício de Frankfurt, à Samsung” -, mas também, de forma simbólica, a própria Alemanha.

“Deve-se frisar que os bancos italianos têm uma situação muito complicada em termos de liquidez e capital”, em que “os números mais baixos que existem de crédito malparado são superiores a 360 mil milhões de euros”, disse, mas acentuando que os problemas se estendem a outros bancos na Europa, como suíços ou britânicos.

“Tudo isto nos leva a perguntar se não estamos na iminência de uma rutura financeira na escala da de 2008”, rematou Landeiro Vaz, lembrando que o potencial de crise sistémica é superior ao ocorrido em 2008, uma vez que o Deutsche Bank tem uma dimensão que é 3,5 a do Lehman.

O economista está a preparar uma conferência sobre a moeda no século XXI, que vai decorrer no ISEG, em 7 de novembro, que terá como moderadores, designadamente, João Ferreira do Amaral e António Mendonça.

Jornal de Notícias, 13 de Outubro de 2016
Problemas no Deutsche Bank podem originar mega crise financeira

O modelo do senhor governador

O modelo do senhor governador

Jorge Landeiro Vaz

O senhor governador do Banco de Portugal, num encontro de Bancos em 3/10/2016, declarou, entre outras coisas, o seguinte:

“ Não é por ter havido uma crise financeira e uma crise económica, que o modelo (bancário), em si, de transferência de poupança dos aforradores para os agentes financiados, está em causa.

O que temos que ver é o que é que correu mal no funcionamento deste modelo e porque é que este modelo(bancário) em determinado momento entrou em colapso e porque é que temos que rever o funcionamento e a supervisão deste modelo.

Não se pode criar a ideia de que se aplica uma regra do tipo “No Bail Out”, de que não há resgates públicos para bancos.”

Esta é uma declaração eminentemente política, de extrema gravidade:

O senhor governador começa por declarar uma fé inabalável no modelo (bancário) de transferência da poupança para os agentes financiados, seja lá isso o que fôr.

Mas reconhece que o modelo (bancário), em determinado momento, entrou em COLAPSO.

Ou seja, diz que não se pode pôr em causa, um modelo (bancário) que colapsou, não obstante ter havido uma crise financeira e uma crise económica.

 

É de antologia.

Oito anos depois da crise monetária, bancária e financeira ter estourado declara que temos que ver o que correu mal no funcionamento deste modelo (bancário) que COLAPSOU, propondo-se rever o funcionamento e a supervisão do modelo.

 

É extraordinário.

Declara, em conclusão, que o Estado vai ter que continuar a resgatar bancos, sempre que necessário transferindo a dívida privada dos bancos para dívida pública.

O senhor governador é o 1º responsável do colapso do sistema financeiro Português e não pode referir-se a este colapso de forma tão académica. As contas de milhares de milhões vêm sendo apresentadas sucessivamente aos Portugueses, BPN, BPP, BES, BANIF CGD e o que mais se verá, pressionando o défice e aumentando a dívida pública

Ao longo dos sucessivos desastres da banca portuguesa, o senhor foi fazendo sucessivas declarações  rapidamente desmentidas pela realidade. Foi o “ring fencing” do BES, a recapitalização do BANIF,  a venda sem custos para o contribuinte do Novo Banco, etcª etcª.

O senhor é o 1º responsável de a CGD ter ficado sem a Caixa Seguros e sem a Caixa Saúde, diminuindo dramaticamente a sua competitividade como grupo financeiro. O senhor é (foi) funcionário da Caixa e colaborou activamente, na destruição do grupo financeiro do Estado.

 

Senhor governador,

O modelo (bancário) que o senhor defende é o modelo da ganância e da especulação, causa de dominação do povo e fonte de toda a miséria e opressão.

O modelo (bancário) que o senhor defende foi causa da crise financeira e económica, da bolha imobiliária, das PPP, do desperdício de recursos financeiros que conduziu ao resgate, em 6/4/2011.

O modelo (bancário) que o senhor defende é causa da destruição da economia portuguesa, dos centenas de milhares de jovens que foram forçados a emigrar, do desemprego e da pobreza endémica e da infelicidade de tantos portugueses.

O modelo (bancário) que o senhor defende é o da entrega ao estrangeiro dos centros de decisão da economia nacional, dos bancos às telecomunicações ao sector da energia e das infraestruturas. O senhor faz parte duma pseudo-elite que entregou o País.

O senhor condena o Estado e os portugueses à miséria, para salvar bancos. O senhor reafirma a ditadura dos Bancos sobre os cidadãos e o Estado.

O seu modelo (bancário) é um modelo de aparência virtuosa de intermediação bancária, mas que é na verdade um modelo totalmente especulativo e ruinoso. Pergunto: Quantos bancos mais terão os portugueses que salvar, endividando o Estado por gerações, para que termine a opressão. Os agentes políticos têm aqui uma enorme responsabilidade.

O senhor representa a BANCA-CASINO,  desde a emissão privada de Moeda até aos mercados de títulos e de derivados.

Este modelo (bancário) está esgotado e deve ser profundamente reformado na sua essência, em nome do humanismo, da igualdade e da liberdade.

05/10/2016

A condicionante financeira e a economia portuguesa

A condicionante financeira e a economia portuguesa

João Ferreira do Amaral

Constatação

Desde o início do século que a economia portuguesa tem crescido muito pouco. Antes da crise,  a taxa anual de crescimento do PIB rondava 1%, o pior resultado da zona euro, com excepção da Itália.

O impacto da crise sobre a nossa economia foi muito profundo e levou a um decréscimo de cerca de 8% no PIB entre 2008 e 2013, decréscimo ainda não recuperado, uma vez que depois do ajustamento, o crescimento continua anémico (este ano cerca de 1%) e próximo do que foi antes da crise. O investimento mantém-se muito abaixo dos níveis pré-crise.

No entanto existe uma diferença profunda entre a situação actual e a que se verificava antes de 2008.

É que os desafios actuais são incomparavelmente mais graves do que aqueles que enfrentávamos no início do século.

Em primeiro lugar, a erosão da nossa estrutura produtiva causada pela adesão à moeda única resultou num profundo desequilíbrio da estrutura actual (definhamento na produção de bens e serviços transaccionáveis) que, para ser revertido, exige grandes volumes de investimento direccionados para o sector transaccionável.

Em segundo lugar e ao contrário do que sucedia no princípio do século, as restrições financeiras actuais, que há dezasseis anos não existiam, bloqueiam o crescimento e o investimento quer ao nível do sector bancário – incapaz de conceder o crédito necessário à actividade económica – quer ao nível do sector público, obrigado a cumprir objectivos inexequíveis, mesmo a longo prazo, que são os constantes do chamado Tratado Orçamental (como por exemplo a redução da dívida pública dos actuais 130% do PIB para 60% no prazo de 20 anos).

Opções

Face a esta situação duas opções são possíveis

– A primeira será a de nos mantermos na moeda única, o que implica cumprir os compromissos do Tratado Orçamental, o que, por sua vez, exige um perdão parcial de dívida. A vantagem desta opção é evitar o inevitável choque a curto prazo de uma saída do euro. No entanto é uma opção muito arriscada porque pode pôr em causa a própria sustentabilidade do País enquanto entidade política respeitada na cena internacional. Com efeito, a necessária reestruturação da dívida, para ser aceite, será indubitavelmente acompanhada por exigências de permanentes políticas de austeridade, provavelmente mais gravosas ainda do que o programa de ajustamento. Tal implicará uma estagnação ou mesmo recessão económica por mais vinte anos, potenciando uma sangria de recursos humanos para o exterior que porá em causa a sustentabilidade do País. Por outro lado, este clima de recessão permanente não será um incentivo ao investimento necessário para transformar a nossa estrutura produtiva. Acresce que a subordinação política aos países credores se acentuará com o pedido de reestruturação da dívida que, certamente, só será aceite com contrapartidas políticas humilhantes.

– a segunda opção é a da saída do euro. Terá como vantagem incentivar, através da consequente desvalorização cambial, o investimento na produção de bens transaccionáveis, ao mesmo tempo que a recuperação da emissão monetária própria aliviará em larga medida a restrição financeira quer dos bancos quer do sector público. Recuperar-se-á grande parte da autonomia política perdida devido às dificuldades financeiras e poder-se-á atingir ritmos de crescimento económicos semelhantes aos dos anos anteriores ao ano 2000, proporcionado aos jovens e menos jovens oportunidades de realização pessoal no nosso país. O grande inconveniente desta opção será o choque de curto prazo consecutivo à saída do euro que implicará, por um ou dois anos, ritmos de inflação muito superiores ao actual.

Balanço

Fazendo o balanço das duas opções, em minha opinião, a opção que pode fazer renascer a esperança será a da saída do euro, minimizando o choque da saída através de uma negociação minuciosa com as entidades europeias e tentando que a saída efectiva da moeda única se faça sem uma saída formal, ou seja, sem uma ruptura clara do quadro do euro (por exemplo, mantendo a moeda europeia como moeda alternativa).

13 a favor, nenhum veto. Guterres a horas de liderar a ONU

13 a favor, nenhum veto. Guterres a horas de liderar a ONU

À sexta votação, António Guterres recebeu luz verde para a liderança da ONU. Última votação realiza-se nesta quinta-feira. “Foi um grande trabalho da nossa diplomacia”, diz António Costa.

“Os embaixadores dos quinze países membros do Conselho de Segurança da ONU apareceram juntos na votação e o antigo primeiro-ministro português não foi vetado por nenhum dos cinco membros permanentes do Conselho. A candidatura de Guterres recebeu 13 votos a favor, duas abstenções e nenhum veto. A pedido da Rússia, a votação final realiza-se nesta quinta-feira.”

“Até agora, nas cinco votações realizadas, Guterres tinha conseguido a maioria de dois terços dos votos favoráveis dos membros do Conselho de Segurança, que é constituído por 15 países. Na última votação, realizada a 29 de Setembro, o candidato português obteve 12 votos favoráveis, dois votos desfavoráveis e um voto sem opinião.

Nessa quinta votação, a seguir a Guterres, no segundo posto, ficou Vuk Jeremic, ex-presidente da Assembleia das Nações Unidas e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Sérvia. O terceiro lugar coube a Miroslav Lajcak, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Eslováquia.”

13 a favor, nenhum veto. Guterres a horas de liderar a ONU

Ana Brito , Nuno Ribeiro e David Dinis – Jornal PÚBLICO – 05/10/2016 – 16:36