Síria: a guerra dos media

Síria: a guerra dos media

Carlos Santos Pereira,

Ensinava o professor Philip Taylor que em situação de conflito há que distinguir rigorosamente a “guerra real” da “guerra dos media”. A cobertura da batalha de Aleppo nos media ocidentais ilustra exemplarmente a ideia.
Os media, e em particular as televisões, têm-nos dado generoso e dramático testemunho do calvário vivido pela população da parte oriental de Aleppo. Vale ainda assim a pena um olhar mais atento sobre o que nos dizem e o que nos não dizem as televisões sobre a realidade do conflito.

Os efeitos dos bombardeamentos sírios e russos sobre os sectores da cidade controlados pelos rebeldes mereceram ampla denúncia nos media. Mas quando o enviado especial da ONU Staffan de Mistura denunciou há semanas o horror dos bombardeamentos rebeldes contra a parte ocidental da cidade as grandes agências internacionais e as editorias dos telejornais pareceram bem menos sensíveis.

E os mesmos telejornais que tanto denunciam a crueldade dos bombardeamentos sobre Aleppo oriental não se deram ao trabalho de questionar as razões dos rebeldes e dos seus apoiantes ao insistirem em arrastar a rendição e prolongar o sofrimento da população mesmo quando a batalha estava definitivamente perdida.

Os media escondem assim de facto uma das faces mais vincadas da batalha: é que a população de Aleppo é tão vítima da brutalidade do assalto das forças de Assad como da aparente aposta dos rebeldes em prolongar tanto quanto possível o calvário da população e fazer render os respectivos impactos mediáticos.

Os mesmos media esqueceram-se igualmente de questionar os Estados Unidos, a Turquia e outros patronos dos rebeldes como se conjuga a promiscuidade entre os chamados “moderados” e  a Jabhat Fateh al-Sham, a antiga Frente al-Nusra, antena da al Qaeda na Síria, com o alegado objectivo do combate ao terrorismo jihaddista.

A recente reocupação de Palmira pelas forças do ISIS, um sério embaraço para a imagem do exército sírio e dos seus apoiantes russos em pleno assalto a Aleppo, levanta, também ela, perplexidades que parecem ter escapado por completo à curiosidade dos media. É com efeito surpreendente que o ISIS tenha conseguido disponibilizar uma força de 4000 homens para lançar o assalto à cidade no preciso momento em que as suas posições estavam à beira do colapso em Aleppo e sob intensa pressão em Raqqa.

Numa entrevista à RT, Assad garantiu que a força que lançou o assalto a Palmira veio directamente de Mossul, escapando miraculosamente à pressão militar sobre a cidade e ao sofisticadíssimo dispositivo de vigilância americano. O presidente sírio não será decerto a mais credível das fontes. Mas a questão mereceria sem dúvida um pequeno esforço, tanto mais que há outras fontes a insistir na mesma versão.

Numa perspectiva de gestão comunicacional, as opções dos editores limitam-se a dar continuidade a técnicas já muito rodadas na cobertura de conflitos armados. A insistência em imagens-choque, nos testemunhos dramáticos, na exploração de histórias, em particular quando protagonizados por crianças e mulheres, garantem o impacto emocional que, como diria Ignacio Ramonet, é cada vez critério da informação televisiva. Uma técnica que secundariza o rigor dos factos e da análise e dispensa uma abordagem mais global e integrada do conflito.

Sublinhe-se enfim a forma como as opções editoriais se ajustam na perfeição à batalha propagandística que se trava em torno de Aleppo, colocando uma vez mais a questão crucial da agenda dos media. Nesse sentido, os famosos media effects parecem garantidos mas, uma vez mais, à custa de uma abordagem claramente selectiva da realidade.

Lisboa, 22 de Dezembro de 2016

Discurso de António Guterres na tomada de posse como Secretário Geral da Organização das Nações Unidas (ONU)

Para recordar… um excelente discurso.
13 de Dezembro de 2016
“É com gratidão e humildade e com grande sentido de responsabilidade que me apresento hoje”, afirmou o novo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, na sua primeira declaração após ser aclamado pela Assembleia-geral da ONU.

Comunicação à imprensa

Kiev, três anos depois…

Kiev, três anos depois…
Carlos Santos Pereira,

Assim! Preto no branco. O acordo entre Kiev e Bruxelas  ”não confere à Ucrânia o estatuto de candidato a membro da União, nem constitui um compromisso que garanta à Ucrânia esse estatuto no futuro”. E deixem-se de ideias, esses ucranianos! Nem sonhem com o direito a residir ou trabalhar dentro das fronteiras da União.

Armas, isso, sim! – mas cabe a cada país europeu tratar do negócio à sua maneira.
Se ilusões restavam ainda no reino de Porochenko, os lideres europeus reunidos esta semana em Bruxelas puseram os pontos nos ii.
Só para que não sobrem equívocos. Porque o acordo e as ilusões ucranianas, essas, estavam há muito mortas e enterradas. E nem vale a pena invocar o referendo em que holandeses chumbaram, em Abril, o “EU-Ukraine Association Agreement”. O acordo entre Kiev e Bruxelas seria solenemente ratificado a 16 de Setembro de 2014 pelo Parlamento de Kiev, mas a eficácia do documento foi desde logo adiado para as calendas gregas. É que a missão do famoso arranjo já estava cumprida. O convite para uma “associação” oferecido por Bruxelas inscrevia-se numa iniciativa lançada pela UE depois da crise russo-georgiana de 2008 e do congelamento dos projectos de integração da Geórgia e da Ucrânia na NATO. A oferta europeia, que prendava vários países da defunta URSS mas excluía a Rússia, tinha porém uma condição: ficava fora de causa qualquer namoro com a “Parceria Oriental”, um projecto de integração económica lançado por Moscovo.

 
A decisão do então presidente Ianukovitch de adiar a assinatura do acordo com Bruxelas desencadeou a rebelião da Praça da Independência em Fevereiro de 2014. Ianukovitch caiu, o Leste da Ucrânia pegou em armas, Moscovo deitou mão à Crimeia suspeitando que a NATO se preparava para se instalar de armas e bagagens em Sebastopol.
Três anos depois, a Ucrânia é um país dividido, a braços com uma larvar guerra civil, entregue à instabilidade e à violência política, um tecido económico gangrenado pela corrupção e forças armadas minadas pelas negociatas das cúpulas.

Certo que nem tudo se perdeu. Os planos de “Parceria” de Putin ficaram estragados, Kiev faz da integração na NATO um objectivo prioritário e a Ucrânia anuncia-se ao Mundo como uma “barreira contra a expansão russa na Europa”. Estava enfim cumprido um sonho há muito alimentado nas capitais do Ocidente, ao que testemunham antigos responsáveis
europeus: atear a discórdia entre Moscovo e Kiev.

À luz da militância directa de responsáveis europeus (e americanos) nos dias gloriosos do Euromaidan e pelo apoio empenhado aos novos mandantes de Kiev seria ainda de esperar que Bruxelas tivesse um palavrinha, uma satisfação a dar aos ucranianos.Mas não. Apenas que…tenham mas é juízo!
Lá para as bandas de Donetsk, continuam a ouvir-se tiros. O regime de Kiev continua a arrastar os pés no que toca à plena implementação dos acordos Minsk II que o presidente Petro Porochenko assinou em Fevereiro de 2015 sob pressão da Europa, e que garantiria uma regionalização de facto da Ucrânia e uma forte autonomia para as regiões separatistas. Berlim e Paris mostram-se incapazes de alterar a posição de Porochenko, e Washington recusa-se a exercer sobre pressão sobre o presidente ucraniano.

Já que para mais não sobra nem substância nem imaginação, os líderes europeus remataram enfim o dossier Ucrânia da única forma a jeito: a renovação das sanções à Rússia. Sob os aplausos e renovados apelos “às armas!” contra os russos de polacos, lituanos, estónios e letões.

A Europa quis ainda fazer ouvir a sua voz na Síria. Mr. Hollande lá fez um esforço para se pôr em bicos de pés – já que ninguém lhe dá fiado em casa, pode ser que ainda o ouçam lá fora – e voltou a apontar o dedo a Putin. Dona Mogherini fez voz grossa e ditou as condições para uma “transição” política na Síria.

Que se saiba de novas certas, Putin não tremeu, Assad não se comoveu, os rebeldes não se arrependeram, Erdogan não se converteu, a Casa Branca não fez penitência. Não, parece que ninguém ouviu, em resumo.

E não se cansem os líderes de Bruxelas a anunciar mais “European Defence Action Plan”. Já há muitos, mais vírgula-menos vírgula, todos igualmente inócuos.

É que o problema da insignificância da Europa (a demarcada, a autêntica, a europeia – a União) como actor internacional não está na míngua de canhões. Está na falta de credibilidade. De uma ponta de vergonha. De sentido do ridículo.

Responsabilidade, Reconhecimento, Diversidade e Liberdade

Responsabilidade, Reconhecimento, Diversidade e Liberdade
Excertos da intervenção de António Sampaio da Nóvoa na cerimónia em que lhe foi atribuído o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade Lusófona, juntamente com Carlos Alberto Torres, professor da UCLA, no dia 25 de Outubro de 2016

Não é fácil agradecer uma distinção. Se falasse para me aumentar, seria insuportável. Se para me diminuir, soaria a falso. Talvez a única opção seja dizer o que sinto, e que se traduz numa única palavra: responsabilidade.

Cada distinção alarga a nossa responsabilidade, porque nos acrescenta instituições que em nós confiam, pessoas que nos escolhem como portadores de uma história e de um futuro.

Entendo esta distinção como o reconhecimento de pessoas e de gerações que se bateram, nas últimas décadas, pela democratização do ensino, pela renovação da universidade e pela abertura de Portugal.

Junto delas, serei portador deste vosso gesto.

  • Hoje, pela primeira vez na nossa história, deixamos para trás o “discurso do atraso” quando falamos da nossa escola pública. As gerações de Abril podem orgulhar-se do que fizeram pela educação, mesmo com investimentos bem inferiores à média europeia, mesmo que falte ainda tanto por fazer. Na democratização do ensino. Na qualidade das aprendizagens. Numa escola que promova o sucesso de todos os alunos, independentemente do seu cheiro, cor, linguagem ou encadernação, como dizia João dos Santos.

Felizmente, ao longo deste ano, recuperámos um direito ao presente, que nos vinha sendo retirado. Mas é preciso que este presente não seja morno, tépido, que não nos impeça de ver as grandes transformações da educação do futuro.

Na reconstrução de um modelo escolar que tem 150 anos, e já não nos serve. Na organização de escolas diferentes que, sem porem em causa “o comum”, permitam a abertura a uma diversidade de projectos e iniciativas. No reforço de um espaço público da educação, muito mais amplo do que o espaço da escola, no qual pessoas e instituições se façam presentes e assumam os seus direitos e deveres educativos.

  • Serei portador de um segundo gesto de reconhecimento, às gerações que, nos últimos trinta anos, se bateram pela renovação da universidade.

Quero agradecer o elogio proferido pela Professora Rita Hofstetter, da Universidade de Genebra.

Genebra tem sido o epicentro do pensamento educativo, com Rousseau, claro, com a Educação Nova, há cem anos, quando lá estavam António Sérgio e Faria de Vasconcelos, as duas referências maiores da nossa pedagogia.

Genebra é a minha primeira universidade. Foi lá que me formei universitário. Foi lá que fiz o meu primeiro doutoramento. Foi lá que aprendi com um conjunto notável de professores, a começar por Daniel Hameline e Pierre Furter, dois homens tão diferentes, e tão notáveis, a quem dedico a distinção que hoje recebo.

Depois, foi Wisconsin, Oxford, Nova Iorque e Paris, para um segundo doutoramento, que junta a história à comparação. E Brasília e o Rio de Janeiro. Continuarei: o andar é tudo: princípio e fim (Teixeira de Pascoaes).

Lisboa recebeu-me, apesar de vir de fora, e não de dentro. Aqui encontrei a minha universidade. Participei nos primeiros mestrados, na década de 80, numa nova concepção dos programas de doutoramento, nos primeiros grandes projectos científicos europeus. Começava uma coisa nova e todos tínhamos consciência disso.

Da vida, levo duas causas de honra. Falarei apenas de uma: ter sido Reitor da Universidade de Lisboa. E ter conseguido, com muita gente, de muitos lugares, sobretudo com o António Cruz Serra, corrigir o erro histórico da separação das universidades ditas “clássica” e “técnica” – medicina para um lado, engenharia para o outro, humanidades e direito para um lado, economia para o outro. Espanta-me como nos habituámos a uma realidade tão absurda e incompreensível.

Fez-se a Universidade de Lisboa. Está feita. Existe apenas há três anos, mas vai dando ao país o que o país precisa: uma instituição de referência internacional, a partir da língua portuguesa, de Lisboa para o mundo, que não separa a ciência do ensino, que trabalha na convergência de todos os conhecimentos, que reconhece a sua responsabilidade na economia, no trabalho, na cultura, no desenvolvimento, na cidade.

E agora? Agora, falta fazer quase tudo, mas é isso que nos anima. E falta também trabalhar no país para promover a diversidade do sistema de ensino superior. Lisboa não é igual a Évora. O Porto não é igual a Bragança. Precisamos de universidades diferentes, de politécnicos diferentes, com uma diferença marcada pelos seus projectos próprios, pelos seus modelos próprios de organização, e não por separações à nascença que são sempre factor de discriminação.

Diversidade e liberdade. O momento actual das universidades é crítico em todo o mundo. Por um lado, vive-se uma fase de expansão e de percepção da sua centralidade nas sociedades contemporâneas (já não falta muito para que os estudantes do ensino superior representem 5% da população mundial, 350 milhões). Por outro lado, há uma submissão a lógicas marcadas pela empregabilidade e por um produtivismo académico delirante – papers e mais papers, e mais comunicações, e mais factores de impacto, e mais outputs e outputs, tudo num frenesim que retira tempo à ciência, que impede a distância crítica de que a reflexão se alimenta.

A mistura de três tendências – a obsessão pelos rankings, uma visão empresarial da gestão e a perpétua burocracia – está a transformar-se num perigo para as universidades. Se forem vencidas pelo imediatismo, por indicadores e mais indicadores que dão conta de tudo menos do que verdadeiramente conta, as universidades podem perder o que as distingue das outras instituições, a capacidade de serem diferentes, de pensarem o que não se pode pensar em nenhum outro lugar.

Não devemos recusar a medida, nem a avaliação, nem a comparação, mas quando estes instrumentos se transformam em modo dominante, único, de governo das instituições, então, perde-se a liberdade incondicional, sem condição, que é constitutiva da própria ideia de universidade.

  • Finalmente, serei portador deste vosso gesto junto das gerações que nos tiraram do isolamento e abriram Portugal à Europa e ao mundo. A educação teve um papel central neste processo. As universidades e a ciência também.

Partilho esta distinção com Carlos Alberto Torres, o que muito me honra. Não é um acaso. É um sinal da importância da internacionalização, e do esforço para pensar a educação numa perspectiva comparada. A isso nos vamos dedicando, um e outro.

Há muito provincianismo no nosso país, feito ora de fechamento, ora de fascínio pelo estrangeiro. As novidades já não vêm pelo comboio ou pelo vapor, mas pelas páginas da internet, que alguns lêem e repetem, e assim se acham modernos. Nunca daqui saíram. E se saíram foi com alguma bolsa ou subsídio pago cá dentro. E se algum escrito publicaram foi sobre o “caso português”. São “casos”, não são ciência, nem cultura.

Não é esta internacionalização que me interessa, mas aquela que nos inscreve como partícipes, como participantes por inteiro dos processos científicos e culturais. Não somos um “caso”. Devemos ser parceiros no trabalho científico que se faz no mundo. É isso que as novas gerações nos têm ensinado, com uma presença internacional de que nos orgulhamos e que temos de reforçar nas próximas décadas.

E temos condições únicas para o fazer. Pela nossa história. Pela nossa geografia. Sobretudo pela nossa língua. É nela que devemos enraizar a nossa abertura ao mundo. Na Europa, obviamente. Mas também no espaço ibero-americano, tão importante para o nosso futuro. E no Mediterrâneo. E no Atlântico Sul. E sempre que a partir da língua portuguesa pudermos estar no mundo. A língua não é o que nos fecha no nosso “elemento”, mas o que nos permite comunicar, estar presentes, ser universais na nossa singularidade.

  • Como sabem, não tive, até hoje, qualquer ligação académica ou institucional à Universidade Lusófona. Sinto, por isso, uma responsabilidade ainda maior na vossa distinção. Recebo-a como parte dos três movimentos que apresentei e que nos trouxeram uma “vida nova”.

Só conheço uma maneira útil de honrar esta distinção: continuar a bater-me pelos mesmos ideais, com independência, com liberdade, sejam quais forem os tempos e as circunstâncias.

Só tenho um instrumento ao meu dispor: a palavra. À maneira dos honoris causa antigos, juro perante vós não abrandar no meu esforço pela democratização do ensino, pela renovação da universidade e pela abertura de Portugal. Só morremos quando esquecemos as palavras. Prometo-vos que não as esquecerei.

Nada me honra mais do que a presença de tantos amigos nesta cerimónia. Peço desculpa de não poder agradecer individualmente a cada uma das pessoas aqui presentes. E, no entanto, talvez esta minha intervenção pudesse ter sido, apenas, e já seria muito, a leitura dos vossos nomes, porque em cada um dos vossos nomes está um pedaço dos movimentos que procurei trazer-vos.

Tenho nostalgia de muitas coisas que não fui e que também já não serei. Mas os amigos permitem que nos continuemos no tempo. São eles que nos prolongam. Termino, por isso, com a força da solidariedade, da convivialidade, de uma amizade que nos faz parte de um movimento.

É isso o que mais me importa – aprofundar lógicas de participação nas decisões políticas, económicas, sociais, nas decisões sobre educação, saúde, sobre a cidade…

Mas como é que conseguimos uma autonomia de participação, e de decisão, quando a economia se define em lugares desconhecidos, “invisíveis”, quando os partidos se defendem do que não controlam, quando a comunicação social mostra apenas o que quer e esconde tudo o resto?

Vivemos uma crise política, de representação, que tem muitas origens, mas também inconfessadas resistências à participação. Uma democracia da apatia e da indiferença não é democracia.

A participação é o denominador comum dos três movimentos de que vos falei. Não vale a pena drogarmo-nos com heroísmos grandiosos. A vida é feita de gestos e de compromissos, diários, que podem parecer insignificantes, mas são eles que fazem o movimento de mudança.

Para que o momento surja, cada um tem de fazer a sua parte. Com compromisso. Com conhecimento. Com responsabilidade. Continuaremos…