O dilema dos juízes espanhóis — entre o Carnaval e a Paixão

O dilema dos juízes espanhóis — entre o Carnaval e a Paixão

O dilema dos juízes espanhóis perante os dirigentes que declararam a independência da Catalunha é o de os levarem a sério, ou os considerarem uns excêntricos mais ou menos irresponsáveis.

Ou consideravam que Puigdemont e os seus comparsas tinham organizado um carnaval em 1 de outubro, sob a forma de referendo que, além de ilegal, não cumpria regras de seriedade e transparência, nem os resultados eram verificáveis, que haviam realizado um baile de máscaras no parlamento para uma declaração de independência que se assemelhava a uma quarta-feira de cinzas, isto é, ou consideravam Puigdemont e os seus apóstolos uns foliões de uma trupe carnavalesca, ou os consideravam políticos independentistas responsáveis pelos seus atos, credíveis, a sério, que haviam gasto uns milhões de euros dos contribuintes em acções políticas passíveis de serem julgadas.

Ou os enviavam para casa com uma admoestação e o conselho para terem juízo e portarem-se como homenzinhos e mulherzinhas, ou os levavam a julgamento.

Os juízes espanhóis optaram por os levarem sério e por levaram a sério a sua função de juízes, em vez de entraram no corso e se transformarem em jurados de uma farsa em que o farsante mor até foi passear a Bruxelas como se fosse um turco perseguido, ou um paladino da liberdade fugido de camisas negras!

De muitas orações e textos publicados, da recusa dos juízes espanhóis em colaborar no carnaval da escola de samba de Puigdemont, resultou que os sambistas catalães sejam considerados mártires da liberdade, presos e refugiados políticos e que os severos juízes, por não se terem mascarado de compères para a récita, nem lançado confétis, sejam acusados do rol completo de insultos em uso: fascistas, franquistas, espanholistas, filipistas, incendiários ao serviço de Castela! Tipos sem humor, certamente, por, em vez de haverem gozado com a sua função no Carnaval, tocando cornetas e apitos, terem afivelado a máscara séria de uma Paixão. Os seus detratores e os apoiantes do chefe libertador da Catalunha são pessoas divertidas!

Os juízes espanhóis deviam ter umas aulas de pândega e de farsa para julgar o circo da família Pujol, os patrões de Puigdemont, em vez deitarem mão a essas tretas de leis e constituições!

Anseio pelo dia em que o “nosso” Arnaldo de Matos se mascarar de Puigdemont e se apresentar em Bruxelas a reclamar a independência dos proletários portugueses! Até lá, siga a dança.

Carlos Matos Gomes, 3 de Novembro de 2017 in Medium