Ramalho Eanes homenageado em Mafra

Ramalho Eanes homenageado em Mafra
António Ramalho Eanes, Mafra 25 de Junho de 2016
O antigo Presidente recebeu a “Espada Símbolo do Comando” pelos 40 anos da tomada de posse como Chefe de Estado, produzindo, na altura, o discurso que de seguida se reproduz.

Agradeço-lhe, Senhor Presidente da República, e agradeço às Forças Armadas, de que Vossa Excelência é Comandante Supremo, através dos seus Chefes de Estado-Maior – Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, General Pina Monteiro; Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Macieira Fragoso; Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Teixeira Rolo; e Chefe do Estado-Maior do Exército, General Rovisco Duarte – a generosidade da homenagem com que, com esta cerimónia, quiseram prestigiar a Instituição Forças Armadas, representadas pela minha geração de militares, aquela que tive a honra de, formalmente, liderar. De liderar em tempos que foram, para alguns, de indignação, de desespero mesmo, em que foi necessário opor, à tentação da fácil recusa da utopia da liberdade, a revolução pelas liberdades, para, sem olhar a perigos e interesses pessoais, se tentar fazer do País um lugar melhor, de estimulante e crescente liberdade e democracia.

Refiro-me, obviamente, sobretudo, à geração dos militares que fizeram de Abril um compromisso de honra perante o País: o compromisso de restituir à Pátria a liberdade que devida era a todos os seus filhos, para, com ela, decidirem, por si, o presente, e procederem ao desenho de um futuro melhor, em que a democracia fosse a forma e o fim da sociedade moderna. E que esta visasse caminhar, sem interrupções desnecessárias, para a consecução de uma liberdade verdadeiramente “positiva” e uma democracia de efectiva e geral “libertação” de todos os cidadãos portugueses do medo, dos medos, mesmo os atávicos.

Cerimónia, esta, que me permito considerar:

  • De homenagem à Instituição Forças Armadas, através da geração militar que tive a honra de institucional e formalmente liderar;
  • De recordação democrática de um passado recente, de luta pela liberdade, com a intenção de conseguir maior democracia, no presente e no futuro. Que se consiga mais interiorizar e dinamizar a responsabilidade social de todos e, em especial, dos mais jovens, dos que tiveram a dita de já nascer no tempo das liberdades democráticas, e cuja acção é indispensável ao funcionamento da Sociedade Civil;
  • De homenagem, também, a todos os civis e militares, e muitos foram os que, pela sua acção, até sacrificial por vezes, contribuíram para vulnerabilizar o regime autoritário e o levar ao estado agónico final, que ajudado terá à eclosão e sucesso de Abril. Homenagem extensiva, também, a todos quantos, sobretudo na desconcertante convulsão da transição para a democracia, quer isoladamente, quer em partidos políticos, quer noutras instituições do Estado (Parlamento) e da Sociedade Civil, decisiva contribuição tiveram na defesa da transição para a democracia constitucional pluralista.

Resolvido que foi Novembro, fastamente, porque se eliminou o espectro da guerra civil, preocupação dos militares foi reassumir, com clareza, a promessa original de Abril. Com esse propósito se elaborou, logo em Dezembro, a Lei 17/75.

O trabalho, bem difícil, que a minha geração assumiu, de reinstitucionalização das Forças Armadas, consistiu essencialmente em inculcar-lhes cultura democrática, em devolver-lhes o mérito, a honestidade, a lealdade e a disponibilidade, o espírito de sacrifício; enfim, em exigir-lhes respeito pela tradicional e indispensável condição militar, então com democrática reconfiguração.

E a condição militar apresenta uma particularidade fundamental que distingue os militares de todos os outros grupos sociais. Resulta, ela, de lhes ser confiada a missão de assegurar sempre, em todas as circunstâncias, pela força das armas, a defesa da Pátria e dos interesses superiores da Nação, implicando, de maneira manifesta, a eventualidade do sacrifício da própria vida ou da deficiência permanente. Na verdade, inteira disponibilidade terá de ter, sempre, o militar para participar em operações no teatro de guerra ou fora dele, para abandonar a família e o domicílio, para cumprir a missão, qualquer que seja, e assumir voluntária e conscientemente os riscos inerentes à missão, à sua duração, dureza, à sua nova e diferente circunstância geográfica, às condições em tudo especiais.

É por ser detentor das armas da Nação e para defesa do chão soberano, da liberdade e do superior interesse da Nação que se lhe exige neutralidade partidária e se lhe restringe o exercício dos direitos civis e políticos.

Neste trabalho insano, sempre entendemos a condição militar como um virtuoso díptico de exigências (de sujeições, mesmo) e compensações, insuficientes, estas, com certeza (e insuficientes porque nada, que não seja espiritual, paga uma vida).

Mas entendemos sempre, também, que uma sacrificial condição militar pressupõe o indispensável sentido e manifesto respeito da Nação pelas Forças Armadas, pelos seus soldados.

Creio, com sentido orgulho, que, em tudo isto, sucesso tivemos, no essencial. A comprová-lo estão as Forças Armadas, no seu indiscutivelmente democrático comportamento, na sua actuação de reconhecido e agraciado mérito em todas as acções humanitárias que conduziu no exterior, na sua disponibilidade para actuar sem limitações ou condicionamentos no empenho operacional, mesmo nos mais terríveis teatros de operações, como foi o caso do Afeganistão.

Creio, pois, que o desempenho das missões atribuídas às Forças Armadas, apesar de tudo, tem sido exemplar e é motivo de orgulho para a democracia portuguesa, para os seus cidadãos e seus militares.

Este trabalho, que considero bem-sucedido, foi, Senhor Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, realizado pelos militares da minha geração, nas circunstâncias descritas, sob minha liderança formal, e tão bem prosseguida pelas gerações militares seguintes, em situações sociais, económicas e até políticas bem diferentes e não menos gravosas. Trabalho, este, que formalmente liderei, enquanto seu antecessor como Comandante Supremo das Forças Armadas e, assim, guardião fiel da fidelidade, da sensibilidade e da autenticidade da condição militar durante algum tempo, enquanto seu Chefe de Estado-Maior-General. Trabalho, este, cujo resultado assumo, não podendo, no entanto, deixar de referir que, para tal, contribuição importante tiveram muitos oficiais, sargentos e praças das Forças Armadas, com os quais aprendi, corrigi procedimentos e reajustei rumos traçados.

É por tudo isto, e por muito mais que não consigo expressar, que – em nome da geração de militares que chegaram ao fim das suas carreiras e vidas, ou que delas se aproximam – aceito, com humildade, mas orgulho também, a distinção que, por meu intermédio representativo, lhes confere e confere, sobretudo, à Instituição Forças Armadas.

A Vossa Excelência, Senhor Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas como estabelece a Constituição, agradecemos a ponderação e a coragem com que, neste tempo de tanta desconfiança e de tanta mudança de mentalidades e valores, vem dizer à Nação que a nossa Pátria não será obra só de militares, que deverá continuar a ser obra de todos, deles também, guardando-lhes, com preocupada e virtuosa atenção e cuidado, a sua distinta e indispensável condição militar, que faz da Instituição Militar Forças Armadas, que confiam na Nação e nas quais a Nação pode confiar.

É Vossa Excelência, Senhor Presidente da República, enquanto Comandante Supremo das Forças Armadas, o guardião da condição militar. E porque assim o é, em nome dessa geração que me coube, repito, formalmente, liderar, peço, pois, licença para lhe oferecer esta espada, como expressão simbólica da condição militar, sem cuja observância justa, atenta e virtuosamente díptica, não há verdadeiras Forças Armadas nacionais.

Peço-lhe que Vossa Excelência, Senhor Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, a receba e receba a mensagem que ela representa e, mesmo, contém: um amor à Pátria sem limites, à democracia sem hesitações, com uma disponibilidade que aceita, com naturalidade, tudo fazer, mesmo viver ou morrer para que a Pátria viva a vida do presente e devir, com liberdade, segurança, justiça, paz e igualdade.

Peço-lhe que Vossa Excelência, Senhor Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, a guarde e, se assim o entender, a transmita aos seus sucessores como símbolo de confiança dos militares, que também eles saberão ser, enquanto Presidentes da República e Comandantes Supremos das Forças Armadas, os guardiões da correcta condição militar das Forças Armadas, da democracia e da Pátria.

Complemento: Intervenção do Presidente da República como referida pela TSF a 25 de Junho de 2016 em artigo intitulado ‘Presidente da República elogia Ramalho Eanes “um dos nossos maiores”

A mentira do guarda-chuva

A mentira do guarda-chuva
A moeda única fez perder todas as protecções que os países, em particular os menos competitivos, dispunham relativamente aos choques da globalização.

Quando da criação da moeda única, um dos argumentos a favor que mais se esgrimiam era que o euro iria servir de uma espécie de guarda–chuva protector face aos malefícios da globalização. Os europeus – diziam com orgulho os federalistas – iriam ficar protegidos de todas as vicissitudes globais e poderiam assim aprofundar o seu modelo social.

É difícil, hoje, entender como tal patranha conseguiu vingar, mesmo em círculos que se diriam melhor informados.

Na realidade, como aliás era expectável desde o início, a moeda fez perder todas as protecções que os países, em particular os menos competitivos, dispunham relativamente aos choques da globalização.

Perderam, em primeiro lugar, um instrumento de política essencial para lidar com os choques externos (na realidade o único disponível em ambiente de comércio livre), a saber, a política cambial.

Ao cederem a soberania monetária, os estados deixaram de poder exercer a sua função estabilizadora interna, com base na política monetária e na política orçamental, face aos choques externos.

Finalmente, ao ficarem reféns dos mercados financeiros por terem perdido a possibilidade de se financiarem através de empréstimos junto do respectivo banco central, os estados têm enfrentado crescentes dificuldades em honrar os seus compromissos internos, incluindo os que decorrem dos respectivos estados sociais.

A moeda única nasceu da mentira e, até à crise, prosperou na mentira. Agora, arrasta-se e corre o sério risco de morrer, porque a mentira já se tornou demasiado evidente.

Quem se pode admirar com o crescimento das votações anti-sistema? E quem tem moral para as criticar?

João Ferreira do Amaral, 3 de Fevereiro de 2017 in Radio Renascença “A mentira do guarda-chuva

O choque petrolífero

O choque petrolífero

Nuno Santa Clara,

Por este nome ficou conhecida uma das quatro fases tidas como marcantes do processo conhecido como “crise petrolífera”. Todas essas fases decorreram de surtos de instabilidade no Próximo e Médio Oriente. Recapitulando: 1956 – crise do Suez; 1973 – Guerra de Yom Kippur; 1979 – deposição do Xá da Pérsia; 1991 – Primeira Guerra do Golfo.

Houve decerto outros altos e baixos na produção, distribuição e venda de petróleo, mas os picos acima referidos foram os mais marcantes. E, entre eles, particularmente o de 1973, que muitos entendem ver como o grande “choque petrolífero”.

Para o comum dos portugueses, o choque de 1973 teve duas consequências importantes.

Uma, a crise global, que se refletiu entre nós, e que acabou por colocar os nossos agentes económicos (belo eufemismo!) contra os poderes políticos da época, considerando que estes, pelo seu imobilismo, não respondiam aos novos desafios, sobretudo à globalização que já então se desenhava. Daí que o 25 de Abril, na sua origem, tivesse sido encarado por essa gente, se não com bonomia, pelo menos com alguma consideração e expectativa.

Outra consequência foi a promoção do petróleo ao estatuto de bem escasso, e como tal sujeito a regras de oferta e procura que ultrapassaram em muito o valor real do produto. Não me vou referir à especulação sobre os preços, mas a uma coisa bem mais comezinha.

Antes de 1973, quem fosse a uma bomba de gasolina era recebido por um funcionário atencioso, que atestava o depósito, perguntava se queria que verificasse a água e o óleo, bem como a pressão dos pneus, limpava o para-brisas e se despedia com um sorriso.

Com a crise, os consumidores foram todos para a fila, pediam com humildade que enchesse o depósito com os litros autorizados, e iam embora felizes, com o para-brisas sujo e sem saber como estavam o óleo, a água e os pneus.

Fenómeno irreversível: mesmo depois de voltar a abundância (?) nunca mais voltámos a ter os serviços personalizados. Pelo contrário, evoluiu-se para o self-service, obrigando executivos e “tias” a manusear as mangueiras, ficando com as mãos a cheirar a gasolina ou gasóleo, e a ter que verificar os variados níveis; em suma, perderam estatuto.

Dirão alguns que, por caminhos ínvios, se procedeu a uma democratização da sociedade e se racionalizaram custos, cortando em serviços considerados quase como sumptuários.

Diria eu que este caso é um belo exemplo da promoção de um bem corrente ao estatuto de coisa rara – logo, cara – a ponto de perturbar as relações institucionais. O ouro é raro, logo caro, e quando se fala do “vil metal” é pelo seu valor venal e não pelas suas qualidades. No entanto elas existem, e as aplicações do ouro na alta tecnologia (para não falar nos dentes, já fora de moda) raramente são referidas.

Em sentido contrário, o alumínio passou de bem precioso para o fundo da tabela (baixela dos pobres) quando a tecnologia permitiu a sua produção a baixo preço – sem que as suas qualidades fossem alteradas.

Assim, a alta do preço da gasolina levou à valorização do funcionário da bomba; deixou de ser um serventuário para ser empregado, depois trabalhador, e agora colaborador; e o consumidor viu-se obrigado, se não a amassar o seu pão com o suor do rosto, pelo menos a meter a mão na massa e a ficar com um incomodativo cheiro nas ditas mãos.

Donde se conclui que o choque petrolífero de 1973 teve o efeito de contribuir para a democratização do País e das relações de trabalho – pelo menos nas bombas de gasolina…

​Já tarda

​Já tarda

João Ferreira do Amaral

Foi-nos prometido um debate nacional sobre o futuro da União Europeia e sobre a posição a ocupar por Portugal nesse futuro

De facto, já tarda.

Foi-nos prometido, inclusive em comunicado de uma reunião do Conselho de Estado, que iria haver um debate nacional sobre o futuro da União Europeia e sobre a posição a ocupar por Portugal nesse futuro.

Até agora, nada. É bem possível que esse compromisso vá parar ao mesmo arquivo morto onde caíram as promessas sucessivas de referendos inexistentes.

A verdade é que já há pouco tempo. Em Março de 2017, a propósito do sexagésimo aniversário da integração europeia está prevista a divulgação de um documento das instituições comunitárias com propostas sobre o futuro da União.

Qual será a posição de Portugal face a esse documento? Continuará o caminho absurdo que trilhámos desde 1992 de fazer parte do núcleo mais avançado da integração? Caminho que nos tem destruído e que põe em causa a sustentabilidade de Portugal como entidade política autónoma, assim reconhecida pela comunidade internacional? Ou imporemos finalmente algumas linhas vermelhas à transferência de soberania para os órgãos comunitários, de modo a garantir instrumentos suficientes de auto-governo para o nosso país?

Todos nós cidadãos portugueses temos o direito – quase diria o dever – de exigir às autoridades portuguesas que, por uma vez, em assuntos tão decisivos para o nosso futuro, cumpram a sua obrigação democrática de dar a palavra ao povo e que não decidam sem um referendo, precedido por um amplo debate. Em democracia representativa, os órgãos de soberania exercem o poder em nosso nome. Mas não têm mandato para entregar esse poder a outrem sem a nossa anuência expressa.

A táctica sonsa de esconder a questão, de deixar andar para, no fim das decisões europeias, argumentar que não há outra alternativa, serviu no passado os interesses de algumas elites, mas prejudicou fortemente o nosso País. Não podemos admitir que tal volte a acontecer.

In “Rádio Renascença” 25 de Novembro de 2016

Os falsos moderados – ou as lágrimas de crocodilo

Os falsos moderados – ou as lágrimas de crocodilo

João Ferreira do Amaral,

Parece ser o desporto favorito dos europeístas actuais lançar diatribes contra o populismo e denunciar dramaticamente o radicalismo dos partidos xenófobos que aproveitam as dificuldades da União Europeia para arregimentar eleitores que de outra forma nunca conseguiriam alcançar. Marcando bem o contraste, os europeístas apresentam-se como modelos de virtudes, entre as quais sublinham a moderação.

Que o populismo e a xenofobia são doenças graves, não tenho a menor dúvida. Mas também me restam poucas interrogações sobre quem em última análise é o responsável pelo desenvolvimento desta doença.

Quando o doente é atacado pelo vírus, não culpamos o vírus. Culpamos sim – e bem – o médico que debilitou o doente e o tornou vulnerável ao vírus.

Porque os moderados europeístas actuais são os federalistas radicais que em Maastricht fizeram entrar a União num caminho de debilidade cujo resultado estamos agora a testemunhar.

Não houve projecto mais radical que o da criação da moeda única. Fruto dum federalismo fanático, foi realizado contra todas as prevenções de muitos economistas e políticos que preveniram sobre o que iria acontecer – e que de facto aconteceu. Preveniram baldadamente, porque nada impediu o federalismo radical de criar a desgraçada União que agora se desagrega aos nossos olhos.

O mesmo radicalismo federalista que tentou fazer passar uma constituição europeia felizmente chumbada em referendos e que, violando gravemente as regras da democracia, reinstalou o projecto chumbado no infame Tratado de Lisboa.

Quem apoiou este caminho de desastre não tem nenhuma autoridade moral para verberar o radicalismo populista ou para atribuir a outros a responsabilidade pelo caminho para o abismo em que, afinal, a União entrou por sua culpa.

De lágrimas de crocodilo está o inferno cheio

The new TTIP? Meet TISA, the ‘secret privatisation pact that poses a threat to democracy’

The new TTIP? Meet TISA, the ‘secret privatisation pact that poses a threat to democracy’
Government insists ‘public services are under no threat whatsoever from this deal’

An international trade deal being negotiated in secret is a “turbo-charged privatisation pact” that poses a threat to democratic sovereignty and “the very concept of public services”, campaigners have warned.

But this is not TTIP – the international agreement it appears campaigners in the European Union have managed to scupper over similar concerns – this is TISA, a deal backed by some of the world’s biggest corporations, such as Microsoft, Google, IBM, Walt Disney, Walmart, Citigroup and JP Morgan Chase.

Few people may have heard of the Trade In Services Agreement, but campaign group Global Justice Now warns in a new report: “Defeating TTIP may amount to a pyrrhic victory if we allow TISA to pass without challenge.”

Like the Transatlantic Trade and Investment Partnership, TISA is being negotiated in secret, even though it could have a major impact on countries which sign up.

While TTIP is only between the EU and US, those behind TISA have global ambitions as it involves most of the world’s major economies – with the notable exceptions of China and Russia – in a group they call the “Really Good Friends of Services”.

The Department for International Trade dismissed the idea that public services were at risk from TISA, adding that the UK was committed to securing an “ambitious” deal.

But according to Global Justice Now’s report, the deal could “lock in privatisation of public services”; allow “casino capitalism” by undermining financial regulations designed to prevent a recurrence of the 2008 recession; threaten online privacy; damage efforts to fight climate change; and prevent developing countries from improving public services.

Nick Dearden, director of group, said: “This deal is a threat to the very concept of public services. It is a turbo-charged privatisation pact, based on the idea that rather than serving the public interest, governments must step out of the way and allow corporations to ‘get on with it’.

“Of particular concern, we fear TISA will include clauses that will prevent governments taking public control of strategic services, and inhibit regulation of the very banks that created the financial crash.”

He suggested pro-Brexit voters should be concerned at the potential loss of sovereignty.

“Many people were persuaded to leave the EU on the grounds they would be ‘taking back control’ of our economic policy,” Mr Dearden said.

“But if we sign up to TISA, our ability to control our economy – to regulate, to protect public services, to fight climate change – is massively reduced. In effect, we would be handing large swathes of policy-making to big business. “

 

The report says the widespread opposition to TTIP, a deal between only the EU and US, had not yet been repeated over TISA.

“It is vital for elected representatives, campaigners and ordinary citizens to unite against this threat,” it adds.

“TISA threatens public services. From postal services to the NHS, TISA could lock in privatisation and ensure that big multinationals increasingly call the shots on areas like health, education and basic utilities.”

A so-called “ratchet” clause in the deal means that after a service – like trains or water or energy – is privatised, this is almost impossible to reverse even if it fails.

According to the report, a “standstill” clause also means “no new regulation can be passed that gives foreign companies worse treatment” than when TISA is passed.

“Taken together, the standstill and ratchet clauses could make it much harder for a future government to renationalise the railways, a move backed by a majority of the British public,” it says.

“Similarly, it could mean that the creeping privatisation of the NHS becomes more and more irreversible with greater involvement of companies from countries like the US. And forget taking control of the electricity system back from the big six energy firms.”

Migrant workers could be classified as “independent service suppliers”, the report says, meaning they would not be eligible for the minimum wage or be allowed to join a union.

People going to another country may find their visa is tied to their job, so if they were sacked, they would be deported.

“This sort of system of modern indentured labour is wide open to abuse by unscrupulous employers who may get away with illegal practices safe in the knowledge that they can threaten any employee with deportation if they complain,” the report says.

“This sort of system is used in countries like Saudi Arabia, the UAE and Qatar and has resulted in working conditions that have been described as being close to slavery.”

The global economic crash of 2008 was precipitated by the sale of complex financial products linked to unsafe “sub-prime” mortgages. The report says there is a danger the final TISA deal would “undermine efforts to regulate risky financial products” with a proposal that firms should be allowed to offer “any new financial service”.

“The danger is that TISA will deter governments from limiting the use of such ‘innovative’ financial products and leave us powerless to stop the next financial crisis,” it says.

TISA could also potentially prevent governments from favouring renewable energy over fossil fuels – despite the need to reduce greenhouse gas emissions and the health effects of air pollution.

Private firms would also be allowed to move online data from one country to another under one proposal being considered. While the original country’s privacy laws would have to be respected, the report said it was “not clear how this will be … enforced”.

While developed countries in Europe have established public services that would not be threatened unless a state’s government decided to open them up to private firms, the same is not true of many developing countries. If they signed up to the deal, it could effectively prevent them from setting up public institutions taken for granted in the West.

The TISA negotiations were held behind closed doors for about 18 months until they were publicly revealed by the global trade union group Public Services International (PSI). Information about some of the proposals has been also disclosed through Wikileaks and similar sites.

Daniel Bertossa, PSI’s director of policy, said: “Anybody who’s interested in maintaining democratic control of national institutions should be very concerned about the Trade in Services Agreement that is being negotiated in secret.

“It will remove large sections of national sovereignty and the ability of any government, including the UK Government, to regulate important service sectors [on issues] such as energy, such as transport, such as privacy. The Trade in Services Agreement is part of a radical project to limit governments’ sovereign right to regulate and freeze it almost in permanence in the interests of foreign corporations.”

According to the European Commission, TISA is about “facilitating trade in services”.

“The EU is the world’s largest exporter of services with tens of millions of jobs throughout Europe in the services sector. Opening up markets for services will mean more growth and jobs,” its website says.

The Independent has contacted “Team TISA”, a group of mainly American companies in favour of the deal, asking for a comment.

On its website, it says: “Services are the fastest growing sector of the global economy and account for two thirds of global output, one third of global employment and nearly 20 per cent of global trade.

“The TISA provides an opportunity to expand services trade among over 50 countries, covering nearly 70 per cent of global trade in services.

“The potential expansion TISA provides will benefit not only global growth, but also US domestic growth.

“As the world’s largest services exporter, with over $1.3 trillion (about £1 trillion) in annual cross-border and foreign-affiliate sales, the US will benefit tremendously from elimination of services barriers.”

A Department for International Trade spokesperson said: “Public services are under no threat whatsoever from this deal or any other trade agreement. The UK remains committed to an ambitious Trade in Services Agreement.”

Ian Johnston, in “Independent“, 30th August 2016

TTIP is about to die, but here are the toxic trade deals about to take its place

TTIP is about to die, but here are the toxic trade deals about to take its place
TTIP has been sacrificed to save the Comprehensive Economic & Trade Agreement (CETA) and the Trade in Services Agreement (TISA) and Brexit won’t spare us from them

“TTIP has failed, but nobody wants to admit it.” With those words one of the biggest advocates of the US-EU trade deal known as TTIP (the Transatlantic Trade & Investment Partnership) appears to have signed its death warrant this week.

Germany’s Vice-Chancellor Sigmar Gabriel was joined two days later by fellow social-democrat Matthias Fekl, France’s trade minister, who went further, saying “France is demanding the pure, simple and definitive halt of these negotiations.”

It seems that the anti-TTIP movement is close to winning its big prize – the death of a ‘trade’ deal which had more to do with extending the power of big corporations than exchanging goods. For a trade deal which had barely been heard of by most European politicians two and a half years ago, that’s quite a feat.

But what lies behind this apparent conversion of leading German and French social democrats? Elections in France and Germany are approaching in 2017. The wholesale conversion of the European centre-left to the big business ‘free market’ agenda in the 1990s, means there often seems to be little difference between conservatives and social democrats. Gabriel and Fekl are both in election mode already, but their new-found opposition to TTIP is purely tactical.

They have calculated that a tactical retreat on TTIP might just be enough to save TTIP’s sister agreements, namely the Comprehensive Economic & Trade Agreement  (CETA), a deal between Canada and the EU, and the Trade in Services Agreement (TISA) a massive, super-privatisation deal covering everything from finance to education.

In other words, TTIP has been sacrificed to save the wider agenda of which TTIP was only one part. Add to that the free market fantasies of our own trade minister Liam Fox, and campaigners should enjoy a celebratory drink, but not put their placards away yet.

Our next target must be CETA – a deal which has received far less attention than TTIP, largely because Canada seems like a pleasant enough country which doesn’t threaten European standards. But the whole point of these agreements is to change our society, and CETA is just as dangerous in this regard as TTIP.

CETA would allow Canadian multinationals to sue European governments in special courts for imposing ‘unfair’ regulations on them – as well as the thousands of US multinationals with a base in Canada. Like TTIP, it’s all about deregulation, threatening everything from public services to financial control. The European Parliament will likely vote on this deal before next Spring, and governments including our own want to implement it immediately afterwards, rather than wait for a vote in Westminster.

Neither is Brexit going to save us. Boris Johnson is on record as saying he thinks CETA is the very model of a good trade deal.

Then there’s TISA – a deal between 50 countries which aims at the liberalisation of ‘services’. Services, in trade parlance, is anything you can’t drop on your foot –  finance and insurance, telecommunications, transport, energy services, education and healthcare. That is what Britain specialises in, we are told, and therefore our government is bound to opt-in to TISA as soon as we exit the EU.

Our new briefing spells out what TISA could mean in practice. Perhaps most worrying is the so-called ‘ratchet’ clause, which makes the privatisation of services effectively irreversible, because it forces countries to ensure market access for foreign companies in perpetuity. That could easily apply to the railways, the post office or privatised sections of the NHS.

We know, from leaks, that TISA is heavily backed by City of London financial corporations – and for  good reason. TISA will also lock-in financial sector  deregulation – the same framework that caused the 2008 economic crash. TISA could also make it more difficult to limit speculation in the market, to break up banks or to regulate risky financial products

We also know that some countries are pushing clauses in TISA which would prevent signatories introducing laws to favour renewable energy over fossil fuels. Others are pushing to allow high tech companies to transfer data across borders at will. This would allow companies like Google and Facebook to move personal information to the US where data protection is more lax.

Meanwhile, some categories of migrant worker may end up being “independent service suppliers” and will consequently not enjoy the right to things like the minimum wage or be allowed to join a trade union, essentially becoming a form of modern indentured labour.

We gain little if the end of TTIP allows such awful deals to make it to the statute book. If social democrats want to reconnect with their base, they need to completely rethink the purpose of trade, as other countries are doing. India and Tanzania have just backed out of trade deals and negotiations with the EU, following the lead of many Latin American countries over the last decade.

Nick Dearden, inIndependent“, 31st August 2016