Os sinais do tempo

Os sinais do tempo

Luís Sequeira

Em pouco mais de duas décadas depois de Abril de 74, Portugal transformou-se num país democrático, moderno, convictamente europeu e que optou por princípios e valores humanos que o prestigiaram internacionalmente e o incluíram na lista dos países mais desenvolvidos (0,903 no índice de desenvolvimento humano da ONU).

Uma década e meia depois de aderir ao “pelotão da frente” da moeda única tudo parece retroceder, a sua política económica e monetária fica dependente das decisões dos países da Europa Central, os seus recursos económicos são desmantelados (agricultura, pescas, indústria e tecnologia) e, com uma crise importada do modelo financeiro europeu, ficam a nu todas as vulnerabilidades da banca nacional, que perde estabilidade, solidez e confiança.

Riscos de toda a ordem, economia de casino, ausência de uma estratégia nacional, políticas erráticas e submissas acabam por provocar uma dependência externa quase total, cujas consequências são avassaladoras no Estado, nas empresas e nas famílias.

O Estado, assente numa Administração Pública invadida por vagas de clientelas partidárias, é capturado por uma burocracia paralisante e vê-se atingido por situações graves de incompetência, de nepotismo e de corrupção, a que não é imune o designado Sector Empresarial Público, situações que abalam o paradigma do Estado Soberano, do Estado de Direito e do Estado Social, fazendo com que os cidadãos cada vez se revejam menos nos seus governantes.

Por tudo isto, não espanta que Portugal, um país europeu com mais de oito séculos de história, seja humilhado a ponto de, sob o pretexto de “mau comportamento” na sua gestão orçamental, ser ameaçado de sanções por parte da Comissão Europeia.

A um cidadão comum, ferido na sua dignidade de português e que não se resigna ao estado a que se chegou, cabe naturalmente o pensamento e a palavra para expressar as prioridades que considera serem hoje causas nacionais:

– Recuperar a soberania do país;

– Subordinar a economia e as finanças à política;

– Controlar e regular o sistema financeiro;

– Equacionar a questão da dívida externa;

– Reformar a Administração Pública;

– Assumir a prestação de contas e a transparência como essência da democracia;

– Devolver aos portugueses os direitos, a confiança e a vontade de construir um país melhor, mais justo e mais solidário

05/08/2016